O Globo, Opinião, p. 6
01 de Jan de 2011
Década decisiva para o clima
O clima está no topo da agenda mundial na década que hoje se inicia, e certamente para além dela. A Terra não pode esperar por uma nova geração para manejar de forma eficiente com o assunto. O presidente Barack Obama trouxe a visão de uma nova economia de baixo carbono, baseada na redução da dependência do petróleo e no investimento em tecnologias verdes. O fato de ele ter perdido muito de seu poder de fogo político não o exime de negociar com a oposição a melhor lei ambiental possível para os Estados Unidos e o planeta. Obama entrará para a História se comprometer seu país com as mudanças no estilo de vida e com os investimentos necessários para ajudar a evitar um futuro catastrófico. Não tem cabimento um suposto protelamento de ações ambientais até que as empresas americanas compensem um gap tecnológico causado por oito anos de paralisia, nessa área, na Era Bush.
A China precisa consertar o avião em pleno vôo. Deve manter o pé no acelerador da economia, para reduzir a ainda imensa pobreza interna e porque é a locomotiva do mundo, e ao mesmo tempo sustentar os altíssimos investimentos em curso para limpar a matriz energética. Afinal, o país começou tarde - demorou a compreender que os danos ambientais comprometem o futuro de qualquer nação - e hoje já é o maior poluidor mundial, à frente dos EUA. Ambos, portanto, têm a responsabilidade de liderar a busca de um novo equilíbrio entre a produção de riquezas, as necessidades das populações e os limites do planeta. Até agora, divergências de todo tipo têm retardado e tornado escassas as providências concretas no processo de negociação mundial conduzido pelas Nações Unidas.
O desafio europeu também é gigantesco: salvar o euro, reformar o estado do bem-estar sem descaracterizá-lo (mas com duros cortes nos gastos públicos), voltar a crescer, gerar empregos e, last but not least, manter o compromisso com as metas de despoluição.
Já o Brasil precisa intensificar o esforço para reduzir queimadas e desmatamento, responsáveis por sua colocação entre os maiores poluidores. Enfim, cada país tem um sério dever de casa a fazer. Houve avanços, mas tímidos. Esta década será decisiva.
O Globo, 01/01/2011, Opinião, p. 6
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