Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
18 de Jan de 2004
O conflito na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, virou uma espécie de guerra santa. Quem defende a criação da reserva conta com apoio dos oito padres da Missão Consolata, organização católica presente desde 1950 no Estado. Já os que se opõem à retirada dos brancos da área são, em sua maioria, evangélicos, de igrejas que proliferaram na região nos últimos anos, como a Assembléia de Deus. No dia 11, um domingo, pessoas ligadas aos fazendeiros foram à missa na catedral de Boa Vista vestindo roupas pretas, em protesto.
Casado com uma índia macuxi, o agricultor Manoel Rufino, de 77 anos, um cearense alto e claro, acusa os padres de terem incentivado índios a invadirem, em fevereiro do ano passado, seu sítio, onde fabricava 4 mil rapaduras por ano. "Os padres só praticam o mal", afirma Rufino. O índio Vidal Cavalcante Lima, 42, chama os religiosos de "demônios".
O superior dos missionários da Consolata, o padre português Antônio Fernandes, diz que denúncias contra a missão nunca foram comprovadas. "Todos têm direito de ter opinião - o que não se pode é passar para a sociedade coisas que não têm nada de real", afirma.
Ele explica que os índios que fizeram reféns três missionários neste mês fazem parte de uma minoria de comunidades ligadas aos fazendeiros. Ele sustenta que os padres lutam pelos direitos dos índios "sem violência, dentro da legalidade".
O religioso diz que não vê problema na permanência dos brancos na área, desde que respeitem a cultura macuxi. Mas logo acrescenta que a decisão final cabe aos índios. (L.N.)
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