CB, Ciência, p. 28
09 de Ago de 2009
De olho no planeta
Convenção na Alemanha vai tratar das mudanças do clima ao redor do mundo. Veja como pequenas atitudes podem ajudar na preservação do meio ambiente
Paloma Oliveto
O futuro do planeta volta às mesas de negociações amanhã, quando começa em Bonn, na Alemanha, uma reunião preparatória para a 15ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas em Mudanças Climáticas (COP-15). Na pauta, entram em jogo interesses políticos e econômicos, já que os países precisam estudar como reduzir as emissões de carbono na atmosfera, o que implica investimento em novas tecnologias, adaptação do desenvolvimento predatório para um modelo sustentável e proteção das florestas, entre outras preocupações. De acordo com a organização não governamental WWF, nada menos que US$ 140 bilhões anuais. Enquanto representantes das nações signatárias da ONU se debruçam sobre as questões que vão nortear o sucessor do Protocolo de Kyoto, a população pode começar a fazer sua parte. Além de cobrar dos governantes um compromisso real diante das ameaçadoras mudanças climáticas, é possível adotar pequenas soluções no dia a dia que, juntamente com as medidas tomadas por governos e empresas, ajudam a frear o estrago feito na camada de ozônio.
Cada vez mais, ambientalistas, ONGs e grandes empresas empenham-se em divulgar como as ações individuais impactam sobre o aquecimento global. "Quando se fala do derretimento das calotas polares, do aumento do nível dos oceanos, as pessoas acham que aquilo não é real, porque são coisas que parecem distantes do dia a dia. Mas elas também já estão sentindo os efeitos na própria pele", afirma Emília Queiroga, vice-presidente internacional da organização State of the World Forum, e diretora da entidade para o Brasil. A ONG norte-americana coordenou, entre 4 e 7 deste mês, o lançamento mundial da Campanha de Liderança Climática 2020, em Belo Horizonte.
Durante o evento, cujo objetivo é antecipar em 30 anos as metas globais de redução da temperatura, cientistas explicaram a necessidade urgente de se tomarem atitudes para enfrentar o aquecimento do planeta. "Não é que nós não sabemos o que não fazer. O que falta é liderança para implementar soluções", critica Lester Brown, um dos maiores especialistas do mundo no assunto, e palestrante da campanha. E as soluções começam dentro de casa, já que cerca de 25% do aquecimento global, de acordo com a State of the World Forum, é resultado da maneira como as pessoas vivem.
Pequenas atitudes
Reduzir dois minutos do banho com chuveiro elétrico, por exemplo, significa deixar de lançar na atmosfera 30kg de gás carbônico por mês. Já a troca da secadora pelo varal pode economizar mais de 300kg da substância, anualmente. A ONG norte-americana preparou uma lista com 50 atitudes que podem ser tomadas para combater o aquecimento global. Vão desde hábitos de consumo à prática da reciclagem.
Na mesma linha de conscientização, o Grupo Santander Brasil lançou um curso online sobre sustentabilidade que, protagonizado pelo personagem Roberto, induz o consumidor a pensar como seus hábitos estão relacionados ao bem - ou ao mal - do planeta.
Nos três vídeos de animação, que podem ser acessados gratuitamente na internet, o espectador descobre que acordar, escovar os dentes, vestir um jeans, ir para o trabalho e voltar para casa são atos que envolvem diferentes pontos de vista. Podem ser encarados como pura rotina. Ou como uma sucessão de ações diretamente ligadas ao meio ambiente.
"O material fala com o indivíduo em todas as suas dimensões. Como pai, empregado, consumidor, empregador. O objetivo é mostrar como em cada uma dessas esferas ele pode mudar seu olhar sobre suas ações", explica Sandro Marques, gerente-executivo de Desenvolvimento Sustentável do grupo. "Cada indivíduo tem que refletir sobre todos os papéis que tem na sociedade. Não adianta trabalhar numa empresa que estimula a sustentabilidade, ficar lá das 9h às 18h, e, depois disso, jogar lixo pelo carro. O risco é pensar que o problema climático está só na Amazônia e nas calotas polares, quando na verdade estamos ligados a ele. De alguma forma, está nos afetando", diz.
Para Sandro Marques, a consciência sobre a necessidade de se fazer algo está aumentando entre a população, mas muitas pessoas não sabem como ir além da reciclagem do lixo. "Muitas vezes, o que falta é informação", constata. A vice-presidente internacional da State of the World Forum reforça a necessidade de conscientizar melhor a população. "O preço dos alimentos está aumentando e os consumidores ficam indignados.
Eles não percebem que isso já é impacto do aquecimento global, pois, com a mudança climática, os grãos não se desenvolvem e a produção é mais escassa", lembra.
O Correio preparou um guia de pequenas ações individuais que podem ajudar a combater a emissão de gás carbônico na atmosfera. Veja, nesta página, como ajudar o planeta.
CB, 09/08/2009, Ciência, p. 28
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