O Globo, O Pais, p. 10
05 de Dez de 2008
De Cerrado a canavial
Estudo alerta para devastação
Cerca de 22 mil km² são desmatados anualmente no Cerrado brasileiro, que, estima-se, estará totalmente devastado até 2030, caso a destruição continue no ritmo atual. A denúncia faz parte do relatório "Direitos Humanos no Brasil 2008", produzido pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e lançado ontem em São Paulo. O relatório deste ano, a nona edição, traz uma série de 30 artigos denunciando violações dos direitos humanos no país, que vão da degradação do meio ambiente à violência policial contra os cidadãos.
No estudo "Os impactos da expansão do monocultivo de cana para produção de etanol", a jornalista Maria Luísa Mendonça, diretora da Rede Social, observa que "a expansão de monocultivos para a produção de agroenergia tende a aprofundar este problema, colocando uma pressão cada vez maior na fronteira agrícola da Amazônia e do Cerrado". Segundo ela, o governo elegeu a região - "tão importante por sua riqueza em biodiversidade quanto a Amazônia" - como prioritária para a expansão das lavouras de cana por apresentar topografia favorável e farto potencial hídrico. "A indústria canavieira tem se expandido rapidamente e gerado enorme devastação ambiental. Para começar o plantio da cana é necessário retirar a vegetação nativa e, portanto, todas as árvores são arrancadas", explica. O estudo lembra que o desmatamento que dá lugar às lavouras de cana "prejudica diretamente as populações rurais que sobrevivem da biodiversidade do Cerrado".
O Globo, 05/12/2008, O Pais, p. 10
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