Adital
19 de Out de 2005
Xavante de Pimentel Barbosa, norte de Mato Grosso, receberam uma difícil
missão dos anciãos da aldeia Etenhiritipá. Preocupados em registrar as
tradições do grupo para preservar suas tradições e divulgá-las os
não-índios, encarregaram Caimi Waissé e Jorge Protodi de registrar em
vídeo um dos mais importantes rituais dos indígenas. Assim nasceu o vídeo
Darini, que tem o mesmo nome do ritual de iniciação que retrata e foi
lançado em abril último, em São Paulo, e agora foi classificado para a 29ª
edição da Mostra Internacional BR de Cinema.
Segundo o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), o Darini é um ritual
tradicional que ocorre de 15 em 15 anos. Crianças e jovens, de dois a 19
anos de idade aprendem a importância da cultura Xavante, através de
músicas e danças, repetidas diariamente durante um mês. Para os indígenas,
esse ritual fortalece o físico e o espírito. Participam do Darini todos os
homens da aldeia, responsáveis por ensinar os cantos e danças. Nos últimos
dias, jovens e adultos saem pela mata entoando as canções, que falam
principalmente sobre as estações do ano. Todo o processo foi acompanhado
pelas câmeras comandadas pelos dois diretores, sem nenhuma interferência
de não-índios durante a gravação.
A idéia de registrar o ritual em vídeo foi conseqüência de um trabalho que
vem sendo desenvolvido pela ONG Nossa Tribo e pela Aliança dos Povos do
Roncador desde 2004. O trabalho, que conta com a fotógrafa Rosa Gauditano
e com a educadora Sônia Cavalari, leva índios para eventos e ensina
técnicas para que eles registram o cotidiano da comunidade. Depois da
gravação, a Universidade Metodista de São Paulo ofereceu o apoio para a
pós-produção.
Caimi Waissé acha que a oportunidade rendeu bons frutos. Além de fazer o
vídeo, eles aprenderam outras coisas ligadas à Comunicação. "É
interessante porque aprendemos tudo na prática. E este também é um meio de
tentar aprimorar a comunicação nas aldeias. Isso é bom para nos
fortalecermos", explica.
O vídeo, com duração de 46 minutos, foi lançado em abril na inauguração do
auditório do Museu Afro-Brasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, na
exposição Xavante no centro cultural Argos, em Jundiaí, e na Universidade
Metodista, em São Bernardo do Campo.
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