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Davi Kopenawa lidera aula inaugural para comunicadores indígenas na Amazônia

Folha BV - www.folhabv.com.br
Autor: Raisa Carvalho
23 de Abr de 2026

A Universidade Federal de Roraima (UFRR) recebe no próximo dia 30 de abril a aula inaugural de um programa pioneiro voltado à formação de comunicadores indígenas Yanomami e Ye'kwana. O destaque do evento será a presença do líder indígena Davi Kopenawa, também escritor e membro da Academia Brasileira de Ciências, que participa do encontro marcado para as 18h, no Salão Nobre da Reitoria, no campus Paricarana.A iniciativa marca um momento histórico para a universidade e para os povos originários da Amazônia, ao promover a formação continuada de seis comunicadores indígenas vindos de diferentes regiões da Terra Indígena Yanomami, localizada entre os estados de Roraima e Amazonas. A aula inaugural será aberta à comunidade acadêmica e a convidados, respeitando a capacidade do espaço.

Formação inédita fortalece comunicação indígenaIntitulado "A palavra que nasce na floresta", o programa de extensão surge de uma parceria entre o curso de Jornalismo, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFRR e a Hutukara Associação Yanomami. A proposta é fortalecer a autonomia comunicacional dos povos indígenas, respeitando línguas, tradições e modos de vida, ao mesmo tempo em que promove o diálogo entre saberes acadêmicos e conhecimentos tradicionais.Para o coordenador do curso de Jornalismo da UFRR, Felipe Collar Berni, a iniciativa reforça o papel social da universidade. Segundo ele, a formação responde a uma demanda concreta dos próprios povos indígenas por maior autonomia na produção e circulação de suas narrativas, especialmente diante das limitações da mídia tradicional em representar suas realidades.

Quem são os comunicadores participantesA primeira turma do programa é composta por seis participantes: Laura Yanomami, Kátia Yanomami, Aida Yanomami, Edmar Yanomami, Jair Kedeniwa e Priscila Ximenes. Eles representam diferentes regiões da Terra Indígena Yanomami, como Missão Catrimani, Demini e Auaris.Para Kátia Yanomami, uma das participantes, a formação tem um propósito claro: fortalecer a defesa do território e da cultura. A estudante afirma que pretende aprender técnicas de edição e produção audiovisual para compartilhar o conhecimento com sua comunidade e ampliar a proteção da floresta por meio da comunicação.Programa une universidade e territórioCom duração prevista de três anos, entre 2026 e 2028, o programa será dividido em seis módulos formativos, com dois ciclos por ano. A metodologia combina períodos de formação na universidade com a aplicação prática nas comunidades indígenas, respeitando o chamado "tempo cidade" e "tempo floresta".O primeiro módulo terá início no dia 27 de abril e seguirá até 22 de maio, com atividades conduzidas por professores da UFRR e apoio de estudantes indígenas do curso de Jornalismo, que atuarão como bolsistas.

Davi Kopenawa como símbolo de resistência e conhecimento Reconhecido internacionalmente pela defesa dos direitos indígenas e da floresta amazônica, Kopenawa representa a união entre saber ancestral e protagonismo contemporâneo na luta por visibilidade e respeito às culturas originárias.Ao colocar comunicadores indígenas no centro da produção de informação, o programa aponta para uma transformação no modo como histórias, territórios e identidades são narrados - agora, a partir da própria voz da floresta.

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