Ilustrado www.ilustrado.com.br/jornal/
27 de Dez de 2017
A já conhecida hospitalidade do umuaramense combinado com uma ampla estrutura para acolher o morador de rua transformou a Capital da Amizade em um ponto de encontro.
Em quase todos os semáforos da área central da cidade se encontra um artista de rua, apresentado a sua arte por uns trocados; um andarilho pedindo um dinheirinho ou um indiozinho querendo uma "moedá". O primeiro está trabalhando. Os outros dois apenas recolhendo as moedas que tão gentilmente a população oferece.
E a boa vontade da população em contribuir com doações tem criado um problema sério: a mendicância e o aumento da população de rua. E agora uma questão que sempre foi tratada com certo controle apenas pela Assistência Social do Município já está batendo as portas do Ministério Público.
Segundo o promotor Marcos de Souza, a mendicância é uma prática que deve ser coibida seja para o índio ou o restante da população. "Não sou contra ninguém. Mas não podemos incentivar a mendicância e a ociosidade nas pessoas, sejam elas indígenas ou brancos. A venda de artesanato é uma coisa, a mendicância outra.", ressaltou o promotor.
A orientação do promotor de Justiça, que faz coro com a do secretário de Assistência Social de Umuarama, Amós Westphal, que é para não incentivar a mendicância. "O que podemos fazer é pedir para a população parar de colaborar com as doações. O município oferece toda a estrutura para atender com qualidade o morador de rua. Quanto aos indígenas, as doações feitas se amontoam na Estação Rodoviária criando um problema, pois tudo fica espalhado atrapalhando o fluxo de usuários", explicou Amós. E completa que enquanto a bagunça não fica na frente de casa, parte da população fecha os olhos para questão e não se incomoda em dar os trocados.
CASAS DE PASSAGEM
Atualmente Umuarama conta com cinco locais com estrutura para oferecer pouso, alimentação e banho para moradores de rua, sejam eles indígenas, andarilhos ou usuários de entorpecentes, as chamadas casas de passagem. São elas: Centro POP, Apromo, Voz dos Pobres, Casa Chico Xavier e Casa da Sopa.
"Aqui no Centro POP o usuário tem atendimento psicológico, de assistência social, banho quente, documentação, café da manhã com leite, café, iogurte, frutas, pão fresco, com um cardápio elaborado por uma nutricionista e um local para descanso. Mas para ficar tem que respeitar regras, como não fazer uso de álcool, fumar somente no local apropriado, guardar os pertences em um armário individual e é neste ponto que surge o problema. Muitos não querem seguir as regras e vão pedir, mas não precisam", explicou Michael Bareiro, que atua no atendimento aos usuários.
E mesmo assim o público atendido aumenta diariamente. Somente em novembro último foram atendidas 130 pessoas no total. Deste número, 76 tiveram atendimento psicológico ou de assistência social, sendo apenas oito umuaramenses. O restante era 36 andarilhos do Paraná e 32 vindos de outros estados.
"Por ter uma boa rede de atendimento ao morador de rua, Umuarama hoje é um polo para essa população como também são Maringá, Arapongas, Londrinas, outras cidades que também contam com os mesmos programas do governo que nós", ressaltou a psicóloga do Centro POP, Thaimelly Tavares Rigobello.
Ainda segundo ela, a maior parte dos andarilhos e todas as famílias indígenas já recebem recursos de programas assistenciais como Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Bolsa Família.
MONTANDO ACAMPAMENTO
Na semana passada um grupo indígena literalmente montou um acampamento na praça Papa João VI. O fato gerou reclamações de comerciantes e a atenção dos órgãos de assistência social do Município. Segundo o secretário de Assistência Social, a única coisa possível é a orientação para que os indígenas não espalhem sujeira pelo local. "Já procuramos a Promotoria de Justiça e fomos orientados de que não há o que fazer", explicou Amós.
A população indígena segue regras contidas no Estatuto de Índio e controlada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), não se aplicando a ela, via de regra, as leis as quais o restante da população está obrigada.
Ontem (26) o leitor João de Paula enviou fotos via What'sApp ao Ilustrado retratando a situação do terminal urbano na Praça da Bíblia, onde índios estão alojados com colchões e cobertores. Na prática, eles estão saindo da concentração da Estação Rodoviária e se espalhando por outros pontos da cidade. Estimativa fornecida semana passada pela Assistência Social é de que pelo menos 50 pessoas indígenas estão vivendo nas ruas de Umuarama. O leitor, que é comerciante no local, reclama da sujeira deixada e do mal cheiro.
USUÁRIOS DE DROGAS
Atualmente os moradores de rua estão divididos em três grupos: indígenas, andarilhos e usuários de entorpecentes. Os dois primeiros são atendidos pela Assistência Social do Município. Os usuários são questão de saúde pública e em muitos casos de polícia. Pontos conhecidos de aglomeração como a praça da Bíblia e no entorno da Estação Rodoviária estão tomados, assustando a população que precisa circular no local.
Os comerciantes reclamam que o problema é antigo, mas que se agravou nos últimos três anos e desabafam que além do medo, lidam com outro agravante: o desaparecimento da freguesia. "Quem vai trazer a família aqui para consumir ou comprar algo? É difícil. E aqui é um cartão-postal da cidade. É o primeiro lugar que uma pessoa vê quando desce do ônibus. A presença da polícia deveria ser maior", cobrou uma comerciante.
Durante o ano, foram realizados arrastões em parceria dos órgãos de Segurança Pública, Saúde e Assistência Social do Município na Praça da Bíblia e no entorno, com a intenção de reduzir a permanência de usuários de entorpecentes no local e tornar a área mais segura. Atualmente, a Guarda Municipal e a Polícia Militar atuam diariamente para coibir o tráfico de drogas nesta área da cidade.
http://www.ilustrado.com.br/jornal/ExibeNoticia.aspx?NotID=84196&Not=%2…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.