OESP, Vida, p. A17
15 de Jul de 2008
Dados do Inpe mostram queda no desmate, diz Minc
Mas ministro ressalta que números continuam altos; divulgação do boletim atrasou para checagem extra
Herton Escobar e Tatiana Fávaro
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que os números de desmatamento na Amazônia referentes a maio apresentam queda "modesta", mas ainda são altos. Os dados serão divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com base no Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter). "Há uma queda modesta em relação ao mês anterior e ao mesmo mês do ano passado", adiantou Minc ontem, ao participar da 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas.
E completou: "Isso não é motivo de alegria para nós, porque o desmatamento ainda está muito grande. Estamos com melhor expectativa para o próximo Deter, pois entrou em vigor em 1o de julho o corte de crédito para quem estiver ilegal do ponto de vista fundiário ambiental. Mas é bom deixar claro que a medida não afrouxa nossa disposição de combater sem tréguas o desmatamento e o crime ambiental."
O boletim do Deter está quatro semanas atrasado, por causa de uma checagem extra de imagens que será rotina daqui para frente. Depois da polêmica criada pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), que contestou os dados do Inpe e chegou a chamar o instituto de "mentiroso", o Ministério da Ciência e Tecnologia pediu para que os boletins do Deter fossem mais apurados, como forma de blindar o sistema contra contestações políticas.
A partir de agora, as imagens do Deter (diárias, porém de baixa resolução) serão confirmadas com imagens do sistema Prodes (de melhor resolução) e por inspeções de campo, o que significa que os boletins ficarão mais precisos, porém levarão mais tempo para ficar prontos - 30 dias, em vez de 15. Em vez de uma única estimativa total de desmatamento, os dados agora serão divididos em áreas de corte raso (onde a floresta foi completamente cortada), degradação florestal e "duvidosas" (onde não for possível fazer confirmação). "Queremos produzir o melhor dado possível, é nossa obsessão", disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe. "Isso é importante para diminuir uma certa tensão dos governadores que reclamavam que esses dados vinham de forma agregada, ou seja, se somavam num mesmo número coisas muito diferentes", explicou Minc.
Para evitar ainda qualquer tipo de influência política, os boletins passarão a ser divulgados diretamente pelo Inpe, em São José dos Campos, e não mais em Brasília. Apenas o Ibama continuará a receber, a cada 15 dias, os dados brutos do Deter, que são utilizados para orientar a fiscalização de campo.
O ministro também anunciou que vai participar pessoalmente, no fim deste mês, de operações de grande porte com o Exército Brasileiro na Amazônia e repetiu que o governo pretende oferecer R$ 136 milhões para apoio ao extrativismo e R$ 1 bilhão para recomposição de reservas legais.
OESP, 15/07/2008, Vida, p. A17
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