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Custo do aquecimento dobrou

O Globo, Ciência, p. 30
27 de Jun de 2008

Custo do aquecimento dobrou
Mundo terá que gastar 2% do PIB global se quiser deter mudanças climáticas

Em 2006, o Relatório Stern - estudo-chave sobre os custos das mudanças climáticas e o seu impacto na economia e na qualidade de vida - alertou que o mundo gastaria cerca de 1% do PIB se agisse imediatamente para reduzir o aquecimento global. Ontem, em Londres, seu principal autor, Nicholas Stern - ex-economista-chefe do Banco Mundial - alertou que os custos previstos pelo relatório dobraram.
A principal causa é que as mudanças estão acontecendo mais depressa do que o previsto, sem uma reação dos governos. As emissões globais de gases-estufa também aumentaram.
Stern apresentou a nova estimativa, em Londres, no lançamento da Agência de Avaliação de Carbono, a primeira agência do mundo para avaliação de negócios envolvendo créditos de carbono. Segundo ele, a estimativa de gastos de 2% do PIB mundial na luta contra o avanço do aquecimento global significa que os governos devem agir rapidamente para evitar que tais custos cresçam novamente.
- Tudo depende agora de decisões rápidas, políticas eficientes e um mercado de carbono que funcione - declarou ele. - Há muitos problemas pela frente e muitos erros a evitar para que tais custos aumentem ainda mais.
Alterações em ritmo acelerado
Stern chamou a atenção do mundo em 2006 com um estudo encomendado pelo então ministro da Economia e atual primeiro-ministro do Reino Unido Gordon Brown, sobre o impacto econômico da luta contra o aquecimento global. Nele, Stern dizia que combater o aquecimento custaria 1% do PIB global.
Porém, a conta global da destruição do meio ambiente até o final do século, se nada fosse feito a partir daquele ano, poderia custar até 20% do PIB mundial.
Mas ontem Stern declarou que há fortes evidências que o aquecimento está acontecendo num ritmo bem mais acelerado do que o estimado anteriormente. Por causa disso, as emissões de gases do efeito estufa terão que ser reduzidas de forma mais drástica. E, acima de tudo, mais rápida. Segundo ele, isso significa que a concentração de tais gases na atmosfera terão que ser mantidas abaixo de 500 partes por milhão. Em 2006, Stern havia feito previsões em torno de 550 partes por milhão.
- Agora o certo seria um número abaixo daquele - disse Stern. - De qualquer forma, gastaríamos cerca de 2% do PIB mundial para manter a concentração abaixo de 500 partes por milhão.
Em um recente estudo para a London School of Economics, Stern reconheceu que mesmo o custo de 1% do PIB não era algo "trivial". Para o Reino Unido, por exemplo, isso significa um valor perto de 14 bilhões de libras anuais.
Seu argumento, porém, é que esse valor é apenas uma fração do crescimento econômico anual e que muito menos que isso, algo em torno de 14% do PIB global, é gasto pelos países industrializados em investimentos na área de saúde.
Investimento em energia renovável
A Confederação das Indústrias do Reino Unido se manifestou imediatamente à nova estimativa de Stern, dizendo, através de um comunicado, que a reavaliação prova que os custos de uma ação imediata contra as mudanças climáticas ainda são menores do que os custos da imobilidade.
A reavaliação dos custos da luta contra o aquecimento global feita por Stern acontece em um momento particularmente sensível em seu próprio país, na véspera do anúncio feito por Brown de que o governo britânico vai fazer um investimento de 100 bilhões de libras para garantir que 15% de toda a energia usada no Reino Unido venham de fontes renováveis até 2020. Brown espera que tais medidas criem mais de 160 mil empregos. Ele é pressionado pela oposição, cuja plataforma para o meio ambiente inclui o veto a novas usinas de carvão.

O Globo, 27/06/2008, Ciência, p. 30

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