OESP, Economia, p. B6
24 de Jan de 2015
Custo da energia já indica necessidade de redução
Com o valor do megawatt/hora acima de R$ 1.420, cenário passa a recomendar um corte do consumo de energia em até 5% da demanda total
André Borges
Anne Warth / BRASÍLIA
A crise do setor elétrico deu ontem mais um sinal de seu esgotamento com o estouro do custo máximo de geração de energia estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na prática, o cenário passou a indicar que hoje seria melhor adotar medidas imediatas para reduzir o consumo de energia em até 5% da demanda total em vez de continuar a produzi-la a um custo tão elevado.
O chamado Custo Marginal de Operação (CMO)usado pela Aneel é resultado de uma combinação de fatores. Para chegar a esse preço, um modelo matemático leva em conta as condições hidrológicas, a demanda de energia, os preços de combustível, a entrada de novos projetos e a oferta de equipamentos de geração e transmissão. Ao fechar essa equação, o sistema gera um preço-limite para cada região do País.
Nesta semana, o setor elétrico ultrapassou o primeiro estágio, ao quebrar a barreira de R$ 1.420,66 por megawatt/hora fixado pela agência.
Para a próxima semana, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estabeleceu custos superiores em todas as regiões do País. No Sudeste/ Centro-Oeste e no Sul, o custo subiu a R$ 1.445,61. No caso do Nordeste e Norte, foi fixado em R$ 1.420,66.
Apesar da orientação para a redução de demanda, o governo afirma tratar-se de uma conclusão meramente econômica gerada por um sistema e que, na prática, não é decisiva para um eventual corte de carga. Todos os anos, a Aneel aprova quatro níveis de preço a serem considerados e quatro cortes de energia correspondentes. Neste ano, se o CMO atingir R$ 3.064,15 por MWh, o sistema recomendará redução no consumo entre 5% e 10%; se atingir R$ 6.403,81, o corte sugerido ficará entre 10% e 20%; e caso chegue a R$ 7.276,40 a redução deverá superar 20%. "Essa é mais uma evidência de que medidas que atuem sobre o consumo serão necessárias. A situação está complicada, há um risco efetivo de falta de abastecimento", diz Cristopher Vlavianos, diretor da Comerc Energia.
Sem declarações. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, participou ontem de uma reunião na Casa Civil para discutir a crise de abastecimento no País, mas não deu declarações ao fim do encontro. Coube à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, sinalizar que o governo federal vai adotar medidas de racionalização de consumo de água em parceria com os Estados. A ministra recusou-se a comentar eventuais ações na área de energia.
Para especialistas do setor elétrico, já passou da hora de tratar da geração de energia com o mesmo tipo de abordagem feita com o consumo de água. "Os sinais da crise estão evidentes e crescentes. É mais do que urgente a necessidade de o governo discutir um modelo pronto de racionamento. Se vai adotá-lo ou não, é outra discussão. Mas é preciso chamar agentes do setor e ter mecanismos já definidos", diz Claudio Salles, diretor do Instituto Acende Brasil.
OESP, 24/01/2015, Economia, p. B6
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