JB, p.A15
09 de Abr de 2004
Cultivo agrícola afeta a natureza
GENEBRA - A produção ineficaz de alimentos e os subsídios à agricultura têm um impacto muito negativo sobre o meio ambiente, segundo um novo livro dedicado ao assunto lançado pelo Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF).
Apesar de a agricultura empregar cerca de 1,3 bilhão de pessoas e produzir anualmente bens num valor aproximado de US$ 1,3 trilhão, também gera graves problemas ambientais, sociais e econômicos, principalmente nos países em desenvolvimento.
Segundo o livro Agricultura mundial e Meio Ambiente, o setor utiliza mais de 50% das áreas habitáveis do planeta, incluindo terras não aptas para esse tipo de atividades, e destrói anualmente 130 mil quilômetros quadrados de florestas e outros hábitats, como savanas e áreas montanhosas.
A agricultura destrói as regiões em que vivem e se reproduzem muitas espécies, segundo o autor do livro, Jason Clay, vice-presidente do Centro para a Inovação na Conservação, do WWF-Estados Unidos.
Clay destaca o óleo de palmeira como produto que representa a maior ameaça para os mamíferos em perigo de extinção. Isso porque o número de de elefantes asiáticos, de rinocerontes de Sumatra, além de orangotangos e de tigres estão todos diminuindo devido ao avanço das plantações de óleo de palmeira sobre seus hábitats.
Os cultivos agrícolas desperdiçam 60% dos 2,5 trilhões de litros de água que usam por ano, denuncia Clay, que também diz que os recursos de água são explorados no seu limite ou bem próximo dele, sobretudo nas Américas, no Norte da África, na península Arábica, na China e na Índia.
- A agricultura teve um impacto ambiental maior que qualquer outra atividade humana e ameaça hoje justamente os sistemas de que precisamos para satisfazer nossas necessidades alimentares e têxteis - observa o diretor da ONG ecológica.
O livro adverte que atualmente os subsídios governamentais estimulam principalmente as práticas agrícolas intensivas de monocultura, que usam produtos químicos e maquinaria pesada nocivos ao meio ambiente.
Na Inglaterra, por exemplo, diz o autor, essas práticas levaram a uma diminuição de 77% da população de aves nos últimos 30 anos.
Clay recomenda aos governos, especialmente aos de países de alto consumo como China, Japão, Estados Unidos, e à União Européia, que dediquem os fundos destinados a subsídios e barreiras comerciais à adoção de melhores práticas de gestão dos recursos agrícolas.
Entre elas, incluem-se os pagamentos públicos aos agricultores pelos serviços ambientais que proporcionam proteção de bacias hidrográficas, prevenção da erosão do solo, limpeza da água e captação de carbono, medida que transfere o gás para outro tipo de estoque na natureza, minimizando seus danos.
JB, 09/04/2004, p. A15
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