VOLTAR

Cubatão na lista do pior da poluição

O Globo, Ciência e Vida, p. 34
19 de Out de 2006

Cubatão na lista do pior da poluição
Relação dos 35 lugares mais contaminados inclui cidade. Rússia tem situação mais dramática

A cidade industrial de Cubatão, em São Paulo, está entre os 35 lugares mais poluídos do mundo, de acordo com uma lista divulgada ontem por uma ONG ambiental americana. Nas dez primeiras colocações aparecem nada menos que três localidades da Rússia, o país mais afetado tanto por poluentes industriais quanto por produtos químicos desenvolvidos durante a Guerra Fria: Dzerzinks, Norilsk e a região que engloba as cidades de Rudnaya Pristan e Dalnegorsk.

De acordo com a lista divulgada ontem pelo Instituto Blacksmith, metais pesados, como o chumbo, estão entre as principais fontes de poluição, atingindo dez milhões de pessoas somente nas dez regiões mais afetadas.

O instituto acompanhou o trabalho de cientistas e ambientalistas em todo o mundo para elaborar a lista e apóia projetos de despoluição em vários dos locais citados. O principal foco do trabalho foi em regiões onde a poluição mais afeta a saúde das pessoas.

- A principal preocupação em todos esses casos é com o acúmulo desses contaminantes no ambiente e no organismo das pessoas diretamente afetadas - afirmou o diretor do instituto, Richard Fuller.

"Em alguns lugares, a expectativa de vida é similar à da Idade Média, defeitos de nascença são a regra, não a exceção, o percentual de crianças com asma é superior a 90% e o retardamento mental é endêmico", enumera a análise. Pesquisas de agências da ONU sugerem que 20% das mortes prematuras em todo o mundo estejam relacionadas a fatores ambientais.

Dos dez lugares mais poluídos listados, Chernobyl é o mais conhecido em razão do grave vazamento nuclear de 1986. Mas há diversas outras áreas pouco conhecidas, onde o quadro é igualmente preocupante, como Kabwe, na Zâmbia; Haina, na República Dominicana; e Ranipet, na índia.

Dois milhões afetados em São Paulo

A contaminação por produtos químicos em Cubatão, em São Paulo, ameaça aproximadamente dois milhões de pessoas, de acordo com o relatório do Instituto Blacksmith. A alta concentração de indústrias petroquímicas e metalúrgicas na região é a grande responsável pelo problema, segundo a análise dos cientistas americanos.

Ao longo do rio Cubatão, localizam-se 130 indústrias que despejam nada menos que 10 mil quilos de poluentes industriais em suas águas a cada mês. Sem falar no esgoto, que, em 90% dos casos, não é tratado.

A análise cita estudos feitos no Brasil, segundo os quais os percentuais de câncer são excessivamente altos na região.

"Tumores no sistema nervoso, incluindo o cérebro, são quatro vezes mais prováveis de ocorrerem, enquanto que as taxas de cânceres de pulmão, garganta, boca e pâncreas são duas vezes mais altas do que nas regiões vizinhas", aponta o texto da ONG americana.

Metade dos habitantes de Cubatão sofre de problemas respiratórios.

Mas, segundo o documento, há também boas notícias. Citando um relatório do Banco Mundial, a ONG afirma que muita coisa mudou na região nos últimos 15 anos, com investimentos importantes em saneamento e despoluição.

O Globo, 19/10/2006, Ciência e Vida, p. 34

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.