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CSA vai compensar emissão de gases-estufa

O Globo, Rio, p. 23
26 de Nov de 2009

CSA vai compensar emissão de gases-estufa
Projetos como a implantação de fábrica de cimento que utiliza escória reduzirão em 17% impacto de CO2 da siderúrgica

Maria Fernanda Delmas e Tulio Brandão

A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) se pronunciou pela primeira vez sobre os projetos para compensar suas futuras emissões de dióxido de carbono (CO2), considerado um gás de efeito estufa. A indústria - maior investimento privado atual do país - será inaugurada em Santa Cruz, em 2010. Em nota, a Thyssenkrupp CSA informou estar desenvolvendo projetos que resultarão na compensação de 1,7 milhão de toneladas anuais de CO2 - cerca de 17% das 9,7 milhões de toneladas anuais previstas quando a siderúrgica estiver em plena operação. A principal ação será a instalação de uma fábrica da Votorantim dentro da área do complexo da CSA, para utilizar a escória siderúrgica na fabricação de cimento.

O presidente do Conselho de Administração da ThyssenKrupp CSA, Niclas Mueller, garante que, para reduzir a emissão tanto de gases quanto de partículas, a unidade conta com os melhores equipamentos disponíveis no mundo:
- Poríamos o melhor equipamento ainda que o padrão exigido no Brasil fosse mais baixo. Só não temos um equipamento melhor porque não é produzido.

Ele afirma que, no caso do CO2, há realmente uma emissão inerente à atividade siderúrgica, mas que a CSA vai compensar o que for possível. O executivo promete que a emissão será 30% menor que a das outras siderúrgicas do Brasil.

No dia 6, O GLOBO noticiou que o lançamento de CO2 da siderúrgica corresponderá a 76% do total de emissões do município, incluindo todas as fontes, segundo inventário da prefeitura. O volume é 11 vezes maior que o total de emissões industriais do Rio. Depois da reportagem, a Câmara de Vereadores decidiu incluir num projeto de lei que isenta a indústria do pagamento de ISS uma emenda exigindo que R$ 17 milhões - cerca de 50% do total do benefício fiscal - fossem usados em projetos de compensação das emissões de CO2. O projeto de lei será votado esta semana.

No caso de aprovação, Mueller diz que os projetos serão decididos pelo poder público. Pessoalmente, ele acha que o melhor destino para os recursos seria a região de Santa Cruz.

A CSA tem como sócia majoritária a alemã Thyssenkrupp.

Mueller diz que, na Alemanha, o grupo nunca precisou pagar compensações ambientais:
- Pagar aqui no Brasil mostra nosso compromisso.
Empresa diz que fará mais que meta oficial
Um dos projetos é alimentar usina de energia com gases gerados na fabricação do aço

A Thyssenkrupp CSA informou que os projetos de compensação de CO2 em andamento são voluntários. Em nota, a empresa afirma que o percentual de 17% é alto, uma vez que o governo brasileiro divulgou recentemente metas de corte entre 0,3% e 0,4% nas emissões do setor siderúrgico (usando como base as emissões de CO2 num cenário de crescimento econômico de 4% a 6%), para serem apresentadas na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que acontecerá em dezembro em Copenhague, na Dinamarca.

A CSA explica que, do total de 1,7 milhão de toneladas de CO2 compensadas, 1,1 milhão corresponderão ao projeto de fornecimento da escória para a fábrica de cimento da Votorantim. A escória substituirá o clínquer, uma das matérias-primas do cimento, cuja fabricação resulta em grandes emissões do gás do efeito estufa. O volume restante de CO2 será compensado, de acordo com a empresa, através de três projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), com recebimento de créditos de carbono.

Segundo diz a nota da empresa, serão aproveitados "os gases gerados na fabricação do aço para geração de energia na usina termelétrica da TKCSA (CSA). Os projetos já foram protocolados nas Nações Unidas para futura negociação de créditos".

A CSA deverá ser inaugurada até o meio do ano que vem, com atraso, pois o cronograma original previa a data de março de 2009 para a abertura da empresa. O investimento total para colocar o projeto em funcionamento beira os 5 bilhões de euros (R$ 12,9 bilhões).

O Globo, 26/11/2009, Rio, p. 23

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