Portal Amazônia - http://portalamazonia.com
24 de Out de 2014
A crise no abastecimento de água em São Paulo, com quase 12 milhões de habitantes, serve de alerta para outros grandes centros urbanos brasileiros, inclusive para o Amazonas que, junto a Amazônia Legal e Ocidental, concentra pelo menos 8% de toda a água doce encontrada no mundo. Mas toda essa abundância pode dar lugar a um cenário de escassez do produto se não houver um freio no desperdício, a exemplo do Sistema Cantareira paulista que, trôpego, moribundo, pela falta de chuvas e o aumento do consumo, está praticamente com todo o seu reservatório esvaziado. Sem alardear, os especialistas admitem que a situação é grave, ou melhor, gravíssima.
Rodeado por paisagens naturais com rios que serpenteiam a floresta tropical, ninguém imagina, hoje, que o gigantesco volume de água que corta o Amazonas possa desaparecer um dia. Mas ameaça existe, e, quiçá, não esteja muito longe, a julgar pelo que enfrenta atualmente o maior Estado brasileiro, que se vê obrigado a utilizar água de reuso para atender à demanda da população.
Com mais de 2 milhões de habitantes (números do último censo do IBGE), Manaus já sente o impacto das atividades que não levam em conta a preservação dos recursos naturais. Agora, cabe aos governantes atentarem para esse risco, pois São Paulo é o melhor exemplo, infelizmente. E, para evitar essa iminente catástrofe ambiental que os mais leigos sequer ousam imaginar, é necessário um esforço mútuo que envolva ações dos governos, das autoridades constituídas e a sociedade civil organizada.
"A água é tão abundante no Amazonas que as pessoas se dão ao luxo de desperdiçá-la, não imaginando que um dia possam enfrentar uma crise de escassez", alerta o especialista Fred Cruz, geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que há pelo menos 20 anos vem alertando sobre a importância da preservação dos ricos mananciais hídricos da região.
Para exemplificar esse desperdício, ele aponta que um estudo da concessionária Manaus Ambiental indica que cada pessoa da população da capital amazonense consome, hoje, em média, 500 litros de água em suas necessidades diárias. "É um absurdo, não há consciência", acrescenta. A poluição também preocupa. Não existe tratamento de resíduos na cidade e o lixo recolhido diariamente (são mais de 40 mil toneladas por dia) é levado para os lixões a céu aberto nas áreas periféricas, o que reflete o descuido para com o ambiente em uma capital que se tornou referência em avanço tecnológico de última geração.
Segundo Fred, aliado a esse desperdício de água, o destino inadequado de efluentes, a falta de saneamento e a inexistência de uma infraestrutura de rede de esgotos agravam o problema. E, ainda, a ocupação desordenada de grandes áreas e a explosão da população que inchou a capital, principalmente após o advento da Zona Franca, contaminam os leitos de igarapés e os lençóis freáticos subterrâneos. "A água é um bem precioso. As pessoas vão ocupando os espaços, poluem os igarapés, os rios, sem se preocupar que no futuro seus descendentes possam ser atingidos da mesma forma como a população de São Pulo", sentencia o geólogo.
Hoje, Manaus é praticamente uma cidade cosmopolita que ganhou fôlego econômico com seu parque industrial com mais de 500 empresas do segmento eletroeletrônico. O verde perde espaço para as estruturas de concreto armado, mais parecidas com uma selva de pedra, todos frutos do desenvolvimento desenfreado que transforma o visual da capital e também a vida de seus habitantes. "A saída é incentivar a população a utilizar água de reuso para não comprometer os mananciais da superfície e os subterrâneos que sofrem o impacto com o aumento da construção de poços artesianos", diz Fred.
http://portalamazonia.com/detalhe/noticia/crise-no-abastecimento-no-sud…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.