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Crise não vai fazer com que ambiente seja esquecido

OESP, Vida, p. A22
04 de Nov de 2008

'Crise não vai fazer com que ambiente seja esquecido'

Cristina Amorim

O economista inglês sir Nicholas Stern, autor de um importante relatório homônimo sobre a economia das mudanças climáticas, de 2006, disse ontem em São Paulo que a atual crise econômica mundial pode alterar a forma como os países vão lidar com o problema ambiental. Ele, porém, não acredita que o tema será deixado de lado.

"Esperava que só uma fração do que deve ser investido no desenvolvimento de novas tecnologias viesse do setor público. Mas, agora, a finança da inovação terá de vir desse setor, mais do que imaginávamos", disse durante palestra na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Stern também afirmou que a liderança européia na questão será mantida, a despeito da oposição de alguns países. A União Européia tem sido a voz mais consistente dentro do debate internacional sobre ações contra o aquecimento global. Porém, com a crise, alguns integrantes do bloco - especialmente os ex-comunistas e a Itália - reclamam que não terão recursos para enfrentar a recessão e, ao mesmo tempo, cortar suas emissões de gases do efeito estufa.

"Quem está protestando agora já não estava muito disposto (a colaborar com o plano climático)", disse Stern. "Se a Europa vacilar agora, isso vai minar as discussões com a China e a nova presidência dos Estados Unidos."

O economista acredita que, após a resposta financeira emergencial, uma resposta fiscal pode incentivar uma "nova Revolução Industrial", baseada na geração limpa de energia. Ele também defende que o novo acordo global de redução das emissões de gases-estufa, a ser fechado em 2009, deve ter metas duras para os países desenvolvidos - com cortes de até 80% em 2050 - e a participação dos países em desenvolvimento, que hoje não têm a obrigação de reduzir suas emissões. "O acordo não funciona se os países em desenvolvimento não contribuírem, pois 8 bilhões das 9 bilhões de pessoas do mundo estarão nessas nações."

OESP, 04/11/2008, Vida, p. A22

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