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Crise não reduz emissão de CO2

O Globo, Ciência, p. 31
26 de Fev de 2009

Crise não reduz emissão de CO2
Poluição aumentou em 2008 apesar da desaceleração da economia mundial

As esperanças de que a crise econômica e a consequente desaceleração da produção industrial pudessem, pelo menos, reduzir as emissões de CO2 estão virando fumaça. Um relatório divulgado ontem pela Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) revela que as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera aumentaram no ano passado em relação ao ano anterior.
O nível de CO2 na atmosfera atingiu a média global de 384,9 partes por milhão (ppm), 2,2 ppm a mais que em 2007. Segundo o relatório da NOAA, no ano anterior a alta havia sido de 1,8 ppm.
- Para sentirmos um impacto da redução na atmosfera, precisaríamos de uma forte queda nas emissões e isso não aconteceu ainda, como revelam esses dados - explicou o cientista Thomas Conway, da NOAA, que ajudou a compilar os números. - Se as reduções forem apenas de um pequeno percentual, não haverá efeito algum na atmosfera.
Com a recessão, acredita-se que as emissões dos países desenvolvidos possam cair cerca de 2% este ano. Mas esse efeito pode ser anulado pelo aumento das emissões na China, a maior poluidora do mundo, ao lado dos EUA.
Mudanças bruscas nos pólos
Um estudo divulgado ontem revelou que as consequências dessas emissões de gases do efeito estufa podem ser ainda piores do que se imaginava até agora. Uma compilação das principais conclusões dos trabalhos conduzidos ao longo do Ano Polar Internacional (encerrado ontem) - feitos por cerca de 10 mil cientistas de 60 países - mostrou que a elevação das temperaturas e o degelo na Antártica e no Ártico avançam em ritmo bem mais acelerado do que se supunha. O documento sustenta que o clima no planeta está mudando com uma rapidez sem precedentes na história da Humanidade, que poderia levar a alterações globais drásticas, como uma elevação no nível dos mares de até 1,5 metro. Os especialistas afirmaram ainda ter detectado mudanças drásticas no clima do Chile e da Argentina.

O Globo, 26/02/2009, Ciência, p. 31

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