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Crise freia corte de CO2 na Europa

OESP, Vida, p. A19
24 de Set de 2008

Crise freia corte de CO2 na Europa
Para indústria, custos ficaram altos demais com turbulência financeira

Jamil Chade, GENEBRA

O pacote ambiental que a Europa estava prestes a adotar, que modificaria parte do funcionamento de sua economia, pode ser parcialmente abandonado por causa da crise financeira que atinge o mundo. Nos últimos dias, governos e empresas européias alertaram que o custo da adaptação climática proposta por Bruxelas pode se tornar inviável em razão da recessão que ameaça o continente.

Diante das ameaças impostas pelas mudanças climáticas, a Comissão Européia foi a primeira a anunciar um plano para reduzir as emissões de gás carbônico (CO2) em 20% até 2020. O custo dessa adaptação para a indústria européia seria de 44 bilhões (cerca de R$ 117 bilhões) por ano entre 2013 e 2020.

Para representantes da indústria, a crise atual diminui o espaço para que empresas aceitem reformar sua produção. Nesta semana, um grupo de empresários deixou claro às autoridades européias que simplesmente retirariam seus investimentos do continente e os levariam para outra região se a idéia do pacote ambiental fosse aprovada. O impacto dessa ameaça poderia ser a perda de empregos - e mesmo a queda de governos, que não teriam o apoio do setor privado. Empresários alertam ainda que o pacote pode matar a competitividade da indústria européia.

Angela Merkel, chanceler alemã, deixou claro que quer novas regras de emissões de CO2, mas "não poderia apoiar a destruição dos empregos na Alemanha". A Polônia, ainda com sua indústria pesada, também quer que o acordo seja voluntário.

SUICÍDIO

Na Itália, alguns dos principais políticos afirmam que o pacote não será aprovado. "Politicamente, as idéias fazem sentido. Mas o plano não será aprovado", alertou o primeiro-ministro italiano, Giuliano Amato. Renato Brunetta, ministro italiano para a Inovação, vai além. "Se o plano for aprovado, matará qualquer chance de recuperação da economia. Ninguém precisa cometer suicídio", disse.

A idéia da Comissão era obter uma aprovação para o projeto até o fim do ano. O comissário da União Européia (UE) para Meio Ambiente, Stavros Dimas, não se cansa de apelar para que o tema continue recebendo a atenção dos políticos.

Parte da responsabilidade recai sobre o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que preside a UE até dezembro. Paris havia indicado que essa seria uma de suas prioridades. Mas, com a crise e a reação da indústria, a proposta final pode ser aguada para evitar que a política ambiental européia seja totalmente abandonada.

Recuo Europeu

Angela Merkel
Chanceler da Alemanha
"(Eu) não poderia apoiar a destruição dos empregos"

Giuliano Amato
Primeiro-ministro italiano
"As idéias fazem sentido. Mas o plano não será aprovado"

Renato Brunetta
Ministro italiano
"Se o plano for aprovado, matará qualquer chance de recuperação da economia. Ninguém precisa cometer suicídio"

OESP, 24/09/2008, Vida, p. A19

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