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CRISE DAS ELÉTRICAS

Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: SANDRA BALBI
28 de ago de 2002

Ativos incluem a Elektro, que atende 1,7 milhão de clientes, e a parte da empresa no Gasoduto Brasil-Bolívia

Enron vai vender suas empresas no Brasil

Operários dão últimos retoques no gasoduto Brasil-Bolívia, nas vésperas da inauguração da obra por FHC e o presidente boliviano

A distribuidora brasileira de energia Elektro, a termoelétrica de Cuiabá e as participações no gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) estão na lista dos 12 ativos que a Enron, a gigante americana em concordata, irá leiloar em todo o mundo, de acordo com anúncio feito ontem pela empresa.
A venda dessas companhias pela Enron vem engrossar o que os analistas de mercado estão classificando como uma grande liquidação de ativos no setor elétrico brasileiro. Estão com placa de vende-se pelo menos mais quatro empresas do setor elétrico.
A americana AES anunciou, em junho último, que vai se desfazer de seus ativos no país. Estariam à venda a Eletropaulo Metropolitana e a geradora AES Tietê.

Cemar
A distribuidora de energia Cemar (Companhia Energética do Maranhão), segundo analistas do setor elétrico, estaria a ponto de ser devolvida ao Estado, pelos atuais controladores, o grupo americano Pensylvania Power. No final de julho os controladores anunciaram que vão vender a empresa. "A Cemar entrou em concordata recentemente e, pelas regras da privatização, deveria voltar ao antigo dono", diz Oswaldo Telles Filho, analista do BBV.
Anteontem o jornal econômico francês "La Tribune" anunciou que a estatal Electricité de France (EDF) poderá vender sua participação na Light, que chega a 94% das ações.
Há dois meses a EDF fez um aporte de US$ 1 bilhão na Light, para sanear as finanças da empresa. "Agora, para vendê-la, a EDF conseguirá menos de US$ 1 bilhão", diz Telles. Segundo ele, há muitas empresas de energia à venda em todo o mundo e quase nenhum comprador disposto a investir no setor.
Quando as empresas de energia brasileira foram privatizadas, entre 1995 e 2000, havia grande liquidez internacional e apetite para diversificação nas corporações internacionais, dizem analistas.
O apetite diminuiu com o fim da bolha das Bolsas. A crise se aprofundou com a quebradeira de empresas americanas do setor e a descoberta de maquiagem nos seus balanços. Internamente, segundo analistas, as empresas do setor vêm enfrentando problemas em consequência do modelo de gestão financeira adotado pelos controladores estrangeiros, que levou a um alto endividamento.
Ao anunciar ontem a venda de ativos a Enron informou que a medida faz parte de um plano para sair da concordata. A Elektro é uma companhia de distribuição de energia que atende mais de 1,7 milhão de consumidores no Estado de São Paulo.
O projeto de energia Cuiabá compreende uma usina de gás de 480 megawatts em Mato Grosso, dois gasodutos que transportam gás da Bolívia às usinas no Brasil e duas companhias que fornecem gás às usinas.
O sistema de gasodutos à venda compreende a Gás TransBoliviano SA e a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil SA, maior gasoduto internacional da América do Sul, segundo a Enron. Segundo Orlando González, presidente da Elektro e presidente da Enron América do Sul, "no caso das empresas no Brasil a divulgação feita da intenção da Enron em nada afeta a prestação de serviços ou a normalidade de seu funcionamento".

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