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Criado grupo de combate ao desmatamento

O Globo, Ciência, p. 36
12 de Mar de 2010

Criado grupo de combate ao desmatamento
Brasil e França arrecadam US$ 1,2 bilhão para investir em ações de preservação de florestas

Deborah Berlinck
Correspondente

Oito países, sob a liderança de Brasil e França, anunciaram ontem em Paris a criação de um grupo para liderar o combate à destruição de florestas em todo o mundo, independentemente do processo de negociação sobre mudanças climáticas conduzido pelas Nações Unidas, do qual fazem parte estratégias de combate ao desmatamento. O desflorestamento responde por 20% das emissões de gases do efeito estufa.

Numa reunião com representantes de 64 países, convocada pela França, o grupo conseguiu levantar, em algumas horas, US$ 1,2 bilhão em novos fundos para o combate ao desmatamento. O montante se soma aos US$ 3,5 bilhões que já haviam sido prometidos por seis países, entre eles Noruega e França, como parte do Acordo de Copenhague. O presidente francês Nicolás Sarkozy propôs que os países do G20 destinem ao fundo os recursos de impostos sobre certas operações financeiras.

Fracasso de Copenhague levou grupo a se organizar
Foi o fracasso de Copenhague em obter um acordo mais amplo e global com força jurídica que levou o grupo de florestas a se organizar.

A ONU vai tentar novamente obter um acordo global no México, no fim do ano, que inclua não apenas o financiamento de ações de combate à destruição de florestas, mas, sobretudo, reduções das emissões.

Mas a ideia do grupo de florestas é já chegar ao México com um exemplo de ação: modelos jurídicos e de financiamento definidos, e várias ações em andamento.

Ao abrir o encontro, o presidente da França lembrou que o combate ao desmatamento está no Acordo de Copenhague. E foi direto ao ponto: agir nesta área será "a melhor resposta às dúvidas e ao desencorajamento que se instalaram depois de Copenhague".

- Juntos, vamos demonstrar que é possível atingir resultados concretos e mensuráveis já a partir deste ano, começando por um assunto essencial: a luta contra o desmatamento - disse.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, declarou: - A gente não vai esperar o México. Vamos fazer logo.

Sarkozy elogiou o Brasil pela adoção de "políticas ambiciosas" nessa área: - Gostaria de destacar o esforço considerável do Brasil e agradecer ao ministro brasileiro, que está aqui.

Minc disse que o grupo de florestas - que inclui países ricos, mas também República Democrática do Congo, Brasil, Papua Nova Guiné e Indonésia - espera levantar mais dinheiro numa próxima reunião em Oslo, em maio, para chegar a um total de US$ 6 bilhões.

O grupo anunciou que vai coletar e preparar um inventário de todas as metas, planos ou ações que países já adotaram ou planejem adotar para conter o desmatamento de suas florestas.

- Não vamos cometer o mesmos erros da conferência de Copenhague, que foram a exclusão e a falta de transparência - disse Minc.

Depois, o grupo vai decidir como o dinheiro será distribuído. Minc disse que, com o aumento dos fundos, o Brasil deverá receber mais verbas para combater o desmatamento. Por outro lado, vai dar mais também: o país planeja financiar e também ajudar gratuitamente os países africanos na formação e no monitoramento das ações na floresta.

- O Brasil quer ser um protagonista na questão do clima - garantiu o ministro, adiantando que pretende anunciar, em breve, um plano para conter o desmatamento do Cerrado.

O ministro não descartou a possibilidade de o Brasil apresentar um candidato para a vaga do secretário-geral da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, que já anunciou estar deixando o cargo.

O Globo, 12/03/2010, Ciência, p. 36

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