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Cresce resgate de macacos-barrigudos na Amazônia e Ibama alerta para risco de extinção

A Crítica - http://acritica.uol.com.br/
Autor: Elaíze Farias
10 de Ago de 2011

A elevada quantidade de macacos-barrigudos recebida nos últimos anos pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) da superintendência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas vem preocupando os analistas ambientais do órgão.

Segundo informações dos analistas, os macacos-barrigudos têm sido uma das espécies de primatas mais comuns no Cetas do Ibama do Amazonas e no Cetas Sauim Castanheiras, mantido pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus (Semmas).

No período de 2005 a julho de 2011, o Cetas do Ibama no Amazonas registrou a entrada de 57 macacos-barrigudos, entre apreendidos e entregues pela população.

A maioria dos animais foi enviada para zoológicos e criadores conservacionistas (mantenedores de fauna), em grande parte, localizados nas regiões sul e sudeste do país.

Somente este ano, de 40 primatas que foram recebidos no Cetas do Ibama, seis eram macacos-barrigudos. Ao todo, o Cetas do Ibama tem atualmente 16 indivíduos desta espécie aguardando local para destinação.

Conforme o analista ambiental e médico veterinário do Ibama Diogo Faria, o macaco-barrigudo é muito visado pelas populações ribeirinhas tanto como animal comestível quanto para ser transformado em bicho de estimação. "Diferente do macaco-prego, que é muito arredio, o macaco-barrigudo é carismático", contou.

A superintendência do Ibama emitiu uma alerta dizendo que "diante dessa realidade e considerando que as duas espécies de macaco-barrigudo encontram-se no Anexo II da Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites) e na Lista da International Union for Conservation of Nature (IUCN) - União Internacional para Conservação da Natureza -, é premente que instituições integrem esforços para elaborar um programa para conservação das espécies de barrigudo que contemple a educação ambiental como uma de suas ações prioritárias a fim de que a população saia da posição de ameaça a essas espécies e passe a ser agente colaborador para sua conservação".

O Ibama alerta também que o baixo número de Cetas no Amazonas e a crescente dificuldade de destinar essa espécie para criadores aptos a recebê-los têm agravado as condições de manutenção dos animais nessas unidades, que, em função disso, às vezes, precisam manter vários animais no mesmo recinto.

Balanço

Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (09) pela superintendência do Ibama, o Cetas do Amazonas recebeu 437 animais da fauna silvestre provenientes de apreensões, resgates e entregas espontâneas.

Os principais grupos da fauna silvestre mantidos e destinados ao local são répteis, especialmente jabutis, tartarugas e tracajás, diversas espécies de aves, principalmente, pássaros e papagaios, e várias espécies de mamíferos, dos quais os primatas são o grupo mais representativo.

Em 2011, chegaram ao Cetas/Ibama/AM 10 espécies de primatas, entre elas, duas de macacos-barrigudos (Lagothrix lagotricha e L. cana), sauim-de-mãos-douradas (Saguinus midas), sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), macaco-prego (Cebus apella), guaribas (Alouatta seniculus e A. belzebuth), micos-de-cheiro (Saimiri sciureus e S. ustus) e macaco-aranha (Ateles paniscus).

Os analistas ambientais destacam que o Amazonas dispõe atualmente apenas de dois zoológicos e um mantenedor de fauna silvestre aptos a recebê-los, que estão no limite da capacidade de manutenção da espécie.

Hábitos

O macaco-barrigudo é o nome popular dado a três diferentes espécies do gênero Lagothrix (Lagothrix lagothricha, L. cana e L poepiigii); todas elas de ocorrência na região amazônica.

As espécies têm esse nome devido ao grande volume da barriga, ocasionado pela alimentação de grande quantidade de folhas, frutos e sementes.

O hábito alimentar e a capacidade de locomoção na floresta as tornam importantes para a dispersão de espécies vegetais, especialmente, as arbóreas.

Entretanto, por apresentar um comportamento dócil, muitos espécimes de macaco-barrigudo são alvo do tráfico de animais, especialmente, para atender a demandas de pessoas que querem mantê-las como animais de estimação.

Além disso, são animais ainda caçados e utilizados na alimentação humana, principalmente, em comunidades extrativistas no interior do estado. Também há indícios de caça em localidades próximas à cidade.

Semelhante ao que ocorre com outras espécies de primatas, geralmente, os animais são capturados quando filhotes e crescem no convívio humano.

Isso dificulta seu retorno à natureza já que, durante esse convívio, deixam de desenvolver comportamentos essenciais para sua sobrevivência na floresta.

O consumo desta espécie também por ser nocivo devido à proximidade genético com o ser humano, potencializando a ocorrência de zoonoses.

"As doenças destes animais podem acontecer com a gente também. É o caso de hepatite, raiva, tétano, virores, herpes, verminoses, infecções bacterianas, entre outras", destaca Diogo Faria.

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