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Cresce produção de renováveis

O Globo, Amanhã, p. 22
02 de Jul de 2013

Cresce produção de renováveis
Agência Internacional de Energia prevê que usinas hidrelétricas, eólicas e solares vão superar as térmicas a gás e gerar duas vezes mais do que as nucleares até 2016

Daqui a três anos, a geração mundial de eletricidade a partir de fontes renováveis deverá superar a produção das termoelétricas a gás. Também em 2016, as usinas hidrelétricas, eólicas e solares terão o dobro da capacidade das usinas nucleares, de acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) divulgadas na semana passada.
Com este crescimento, a participação das fontes renováveis na matriz energética mundial deverá passar de 20%, em 2011, para 25% em 2018. Quando as hidrelétricas são excluídas da conta, porém, a fatia ocupada pelas outras fontes renováveis é bem menor, mas está aumentando rapidamente. Em 2006, elas respondiam por apenas 2% do total, chegando a 4% em 2011. A previsão é que ela dobre novamente em 2018, atingindo 8%.
Para explicar os bons ventos do setor, o relatório destaca a China como sendo um dos principais responsáveis pelo aumento da produção de energia renovável. O país deverá responder sozinho por 40% do crescimento global entre 2012 e 2018.
Os especialistas da IEA também citam o Brasil, ao lado da Turquia e da Nova Zelândia, como exemplos de aumento da competitividade. Nestes três países, a energia eólica já é financeiramente atraente em comparação com os investimentos necessários para a construção de novas centrais alimentadas a combustíveis fósseis.
Apesar dos dados otimistas, isso não significa que o planeta deixará de queimar combustíveis fósseis e de emitir gases-estufa. E ainda está longe disso, alerta a IEA. A China volta a ser exemplo, desta vez negativo: o país continua contando com carvão para suprir pelo menos metade de suas necessidades totais de energia até 2050.
Os americanos também não estão livres de críticas. A falta de garantias de longo prazo para a produção de energia renovável foi apontada por vários especialistas como uma fraqueza do plano climático apresentado na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Além disso, os Estados Unidos vivem uma relativa fartura de energia por causa do aumento da produção de gás de xisto, que deixa em segundo plano investimentos em fontes renováveis. Emitindo menos gases-estufa do que o carvão, o gás de xisto chegou a ser encarado como um combustível de transição para as fontes renováveis. Porém, a vida útil de suas unidades de exploração pode chegar a 40 anos.
Portanto, ainda são necessárias mudanças políticas sólidas para diminuir as emissões globais de gases-estufa numa escala grande o suficiente para evitar que o aquecimento médio da Terra supere 2 graus Celsius. Este é o limite considerado seguro ante consequências perigosas, como o aumento dos casos de eventos climáticos extremos.
Para a diretora-executiva da IEA, Maria van der Hoeven, os principais países consumidores de energia precisam efetivamente priorizar as fontes renováveis.
- A incerteza política é o inimigo número um para os investidores - disse a diretoraexecutiva, no lançamento do relatório em Nova York. - Muitas fontes de energia renovável já não necessitam de incentivos econômicos elevados. Mas o setor ainda precisa de políticas de longo prazo para atuar num mercado previsível e confiável, e de um quadro regulamentar compatível com os objetivos da sociedade. Os subsídios aos combustíveis fósseis em todo o mundo permanecem seis vezes maior do que os incentivos econômicos para a energia renovável.

O Globo, 02/07/2013, Amanhã, p. 22

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