Valor Econômico, Especial, p. A11
Autor: CHIARETTI, Daniela
21 de Set de 2015
Cresce interesse por mercado de carbono, diz o Bird
Daniela Chiaretti
Aumenta o interesse no mundo em se dar preço ao carbono. Um diagnóstico global do Banco Mundial (Bird) lançado ontem aponta que o número de países e cidades que criaram impostos sobre emissões de gases-estufa ou estruturaram mercados de carbono dobrou de 2012 a hoje, mesmo com a queda no preço da tonelada de CO2.
O valor destes instrumentos representam hoje cerca de US$ 50 bilhões globalmente. Quase 70% deste valor é atribuído aos mercados de carbono e o restante às taxas de carbono.
Os dois maiores emissores mundiais lideram o volume coberto por estas iniciativas. Na China, que anunciou sua intenção de criar um sistema nacional de emissões de carbono, mercados-piloto em sete províncias abrangem 1 bilhão de toneladas de CO2. Nos Estados Unidos, este volume é de 0,5 bilhão de tonelada. Na Europa, o mais antigo mercado do gênero continua sendo o maior, cobrindo 2 bilhões de toneladas de CO2.
Segundo o "State and Trends Carbon Pricing 2015", o relatório anual do Banco Mundial que é referência sobre o tema, as emissões dos países, estados e municípios com algum sistema de precificação de carbono representam cerca de um quarto das emissões globais, hoje estimadas em 54 bilhões de toneladas de CO2. As emissões cobertas por estes instrumentos de de preços equivalem a cerca de 7 bilhões de toneladas de CO2 ou 12% do volume de gases-estufa no mundo. "É três vezes maior do que há 10 anos", disse ao Valor o brasileiro Alexandre Kossoy, especialista no tema e coordenador do estudo desde 2010.
"O importante é dar preço ao carbono de alguma maneira", diz Kossoy. "A tendência do risco associado à mudança do clima é de aumentar, em frequência e magnitude, nos próximos anos. Isso vai representar uma ruptura tremenda e afetar negócios e investimentos." Ele ilustra que, em alguns lugares, já não se consegue comprar apólices de seguro contra inundações.
Hoje há 40 países e 23 cidades, estados ou regiões que taxam emissões ou têm mercados de carbono. "Para mim, o fato de os dois maiores emissores mundiais terem sistemas de precificação de carbono é sinal claro de que querem estar à frente da nova economia", segue Kossoy, especialista financeiro do departamento de políticas e financiamento em mudanças climáticas do Banco Mundial. Ele participa hoje de congresso da Febraban sobre economia verde e também da conferência do Instituto Ethos, amanhã.
"O preço do carbono tem que subir e ser compatível com a transição de uma economia fóssil para uma que não é", diz Kossoy. Hoje a tonelada de CO2 é cotada a 8,00 de euros. "Por isso a conferência de Paris é a maior chance que os governos têm de dar sinais claros ao setor privado para fazer com que esta transição ocorra imediatamente".
O México criou uma taxa de carbono em 2014 para combustíveis fósseis - hoje de US$ 3,7 por tonelada de CO2 - e quer instalar um mercado de carbono em 2017. "Estamos falando de recursos de quase US$ 1 bilhão que serão investidos em eficiência energética e tecnologia", diz Mário Pampini, diretor de mudança do clima da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México.
"Estamos sendo consistentes com a política mexicana nacional e internacional", continua Pampini, que também estará em São Paulo. Dar preço ao carbono é, na sua visão, estratégico para o país. "Por isso queremos ter os dois mecanismos, taxa e mercados."
Valor Econômico, 21/09/2015, Especial, p. A11
http://www.valor.com.br/internacional/4232748/cresce-interesse-por-merc…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.