OESP, Vida, p. A25
06 de Dez de 2009
Cresce expectativa para Copenhague
Anúncios de metas nos últimos dias aumentaram chances de acordo em conferência do clima que começa amanhã
Afra Balazina
Ninguém pode prever qual será o resultado da Conferência do Clima de Copenhague, que começa amanhã e tentará definir as ações que os países tomarão para evitar o aquecimento global. Mas o fato é que as expectativas aumentaram sensivelmente nos últimos dias, depois que os principais países responsáveis pelas emissões de efeito estufa no mundo colocaram na mesa, enfim, suas propostas.
O Estado ouviu diversos especialistas para saber se eles tinham um prognóstico sobre a reunião. A senadora Marina Silva (PV), ex-ministra do Meio Ambiente, afirmou que, mais do que otimista ou pessimista, ela está "persistente". "Eu acho que ninguém que entende da agenda fica otimista. As pessoas ficam persistentes - eu acho que é a persistência da sociedade que tem levado aos resultados. Há três meses o Brasil não tinha meta, mas agora tem. O (presidente Barack) Obama e a China disseram que não tinham metas e agora têm."
A reunião tratará o tema sob diferentes aspectos. Mas há dois principais: as metas que os países adotarão para reduzir as emissões e o montante de dinheiro que as nações industrializadas direcionarão para os países mais pobres conseguirem cortar emissões e se adaptar às mudanças climáticas.
O ministro Carlos Minc, sucessor de Marina, está mais otimista sobre o acordo do que há dois meses, quando havia um impasse grande entre os países ricos e os em desenvolvimento. "A chance de se chegar a um entendimento aumentou 50% ", disse o ministro.
Para ele, não serão resolvidas todas as questões em Copenhague. Mas já existe um ganho prévio à reunião, a partir das metas que foram apresentadas e que, se colocadas em prática, levarão a uma redução das emissões. "Os países não vão poder tirar a carta de cima da mesa."
Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também embarca mais animado. Mas ele prevê conflitos e considera que Obama, principalmente, será bastante pressionado a oferecer uma meta mais forte.
Para Tasso Azevedo, consultor do Ministério do Meio Ambiente, o fato de os compromissos dos principais países terem sido anunciados faz com que a discussão não fique vazia. "É possível definir uma visão compartilhada de onde se quer chegar, como limitar o aumento da temperatura a 2oC e, depois, dividir as responsabilidades."
Já o pesquisador do Inpe Carlos Nobre se recusa a fazer uma aposta. "Os seres humanos têm livre-arbítrio. Podem mudar a trajetória sempre. Quem diria duas semanas atrás que Obama apresentaria uma meta?", questionou.
Pessimismo
David Victor, da Universidade da Califórnia e autor de O Colapso do Protocolo de Kyoto, é mais pessimista. Para ele, o que está acontecendo agora é similar ao que ocorreu em Kyoto. "Há muitos temas na mesa e países muito diferentes para o processo da ONU progredir."
OESP, 06/12/2009, Vida, p. A25
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.