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CPT: ameacas de morte continuam no Para

O Globo, O Pais, p.5
07 de Mar de 2005

CPT: ameaças de morte continuam no Pará
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) entregou ao chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Jorge Armando Félix, uma relação contendo novos nomes de agricultores e posseiros de terra no Pará que correm risco de vida. O documento relata a situação dos colonos que moram no Projeto de Assentamento Manduacari. São casos de ameaças de morte e tentativas de homicídio sofridas pelos lavradores e também por religiosos.
O documento foi entregue ao general na última quarta-feira, durante uma reunião em Anapu, pelo padre José Amaro Lopes de Souza, vigário da cidade. O relatório afirma que os métodos de pressão são variados. Ora queimam os barracos, ora retiram toda a alimentação e ferramenta dos colonos. Ora ameaçam, ora matam. Expulso o colono, seu lote é repassado para terceiros, configurando uma verdadeira quadrilha de grilagem de terras”, afirma o documento.
As quadrilhas seriam organizadas por fazendeiros e grileiros da região, que, segundo a denúncia, já teriam expulsado mais de 20 famílias do assentamento. O presidente da Associação Agropecuarista dos Colonos de Manduacari, Rio Anapu e região, Elias Pereira de Souza, e o coordenador do projeto, Odino Ferreira da Conceição, não podem mais retornar à área do assentamento porque estariam marcados para morrer”.
Os dois estão na mira dos integrantes da família Gambira (Divino, Leomar, Afonso e Edmilson Gambira), que comanda cinco pistoleiros, conhecidos na área por Luiz Orelhinha, Chapeuzinho, Vagner, Ceará HP e Benedito. Todos apoiados por Zé Veríssimo, gerente da fazenda Cospel, e testa-de-ferro de Yuaquim Petrola de Mello Jorge, que se intitula dono da área.”
Segundo o relatório, dois pistoleiros, junto com Leomar Gambira, avisaram o colono Elias para não retornar ao assentamento Manduacari. Pois, se assim fizesse, teria sua cabeça estourada. O aviso servia também para padre Amaro e para irmã Dorothy Stang,” diz o texto da CPT.

Incra ainda não regularizou assentamento
ALTAMIRA (PA). O assentamento Manduacari ainda não foi regularizado pelo Incra. Está localizado a 20 quilômetros de Anapu. No local, existia a antiga Fazenda Cospel, que foi ocupada em dezembro de 2002 por 153 famílias, que dividiram a terra em cinco glebas, de 600 alqueires, subdivididos em 20 lotes cada. A família Gambira teria se apropriado de um dos lotes e iniciado a extração ilegal de madeira e palmito.
A partir desta gleba, o grupo começou uma violenta guerra contra os colonos. Eles vendiam gado da fazenda e depois registravam boletim de ocorrência contra os colonos.” O documento é assinado pela Associação de Colonos de Manduacari, pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anapu, e pela Pastoral da Igreja Católica. Os movimentos sociais pediram ao Incra que agilizasse a regularização do assentamento.

O Globo, 07/03/2005, p. 5

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