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Autor: Luany Dias
30 de Abr de 2010
O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) iniciou este mês uma pesquisa de campo para avaliar o potencial de fosfato e diamante na região sudoeste do Estado. Sete profissionais em geologia e geofísica estão empenhados na ação e contam com o auxílio de uma equipe de mais 12 pessoas e estrutura com helicópteros e equipamentos de ponta.
Pela primeira vez o Programa Fosfato Brasil está sendo desenvolvido no Estado. Conforme o coordenador executivo do Departamento de Recursos Minerais, Valdir Silveira, Roraima é um dos estados que apresenta grande potencial para serem encontrados determinados tipos de rocha rica em fosfato, um dos principais elementos utilizados como insumo para a agricultura.
Silveira explicou que a pesquisa é uma continuidade de um programa do Ministério da Agricultura e Ministério de Minas e Energia, e tem grande alcance porque o Brasil é um país tipicamente agrícola e hoje 80% dos insumos são importados. A ideia é fomentar pesquisas para que a iniciativa privada faça mais pesquisas e venha investir em mineração.
"O fato de termos que importar esses elementos pesa muito na balança comercial e eleva o custo de produção dos agricultores. O governo federal, vendo a necessidade de pesquisa nessa área, que estava parada há muitos anos, criou um programa sistemático de pesquisa em toda a federação visando conhecer o que temos. O objetivo não é descobrir jazidas, mas fomentar pesquisas para que empresas venham, a partir de determinadas informações, se instalar e continuar as pesquisas", pontuou.
A equipe de profissionais continua no estado até a primeira quinzena de maio e retorna em setembro para a conclusão da primeira fase da pesquisa. Os prognósticos do coordenador são positivos. Ele acredita que daqui a 10 anos o Brasil possa exportar insumos. "O Brasil é o maior produtor de alimentos do mundo e o fosfato pode ser um grande gargalho dentro do país", afirmou.
Ele disse que o sudoeste de Roraima, especificamente os municípios de Mucajaí e Iracema, é a área com maior potencial para se encontrar rochas ricas em elementos fosfatados. Ele contou que há recursos para alocar nas áreas livres, privada ou não, mas as áreas indígenas não entraram nos alvos da pesquisa.
O Projeto Diamante Brasil, também de abrangência nacional, está sendo executado em todas as províncias diamantíferas do país. Em Roraima é a segunda vez que os geólogos vão a campo colher amostras para conhecer os diamantes da região e fornecer informações aos órgãos federais sobre os tipos de diamantes. O objetivo é auxiliar a certificação de diamantes brutos e evitar invasão de divisas e tráfico de diamantes.
"Um diamante para sair da região precisa ser legalizado. Após a análise de dados, se [um diamante] sair de um estado para outro de forma clandestina, terá como sabermos. A ideia é viabilizar a produção para empresas sérias e extinguir o garimpo", apontou.
Na década de 80, foram identificados em Roraima 26 corpos agrupados em 06 clusters diferentes: Macuxi, Micuim, Tio Chico, Cruzeiro, Recorder e Carapanã. Estes campos estão agrupados na Província de kimberlitos do "Alto Apiaú". Além desses clusters, merecem destaque as ocorrências de diamantes da região do rio Maú e da Serra Tepequém, onde a mineralização está hospedada nos cascalhos das aluviões.
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