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CPI começa em clima de disputa

CB, Política, p. 6
11 de Out de 2007

CPI começa em clima de disputa

Marcelo Rocha
Da equipe do Correio

A CPI das ONGs começou a funcionar ontem sem conseguir evitar a disputa político-partidária que já se anunciava. Em sua primeira intervenção como integrante da comissão, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apresentou um requerimento para que sejam levantadas no Tribunal de Contas da União (TCU) informações sobre a Associação para Projetos de Combate à Fome (Ágora), entidade ligada a Mauro Dutra, amigo do presidente Lula. Na seqüência, falou Eduardo Suplicy. O petista de São Paulo sugeriu o depoimento da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, comandante do Comunidade Solidária.

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), autor do pedido para a instalação da CPI, entendeu a sugestão de Suplicy como provocação. "Quem primeiro falou em chamar familiares de presidente da República foi ele (Suplicy). Se puxar a corda, se puxar a corda…", afirmou Fortes. O petista tentou remediar. Explicou que sua intenção era chamar Ruth Cardoso para comentar uma experiência que ele considera positiva.

Diante das primeiras manifestações dos colegas, o presidente da comissão, Raimundo Colombo (DEM-SC), garantiu que trabalhará para evitar o componente político da investigação. "Temos que usar o bom senso. A gente precisa evitar a politização", afirmou. O próprio Colombo, no entanto, tem interesse particular na CPI. É que a oposição no Senado pretende apurar as supostas irregularidades na transferência de recursos públicos para a Federação dos Trabalhadores em Agricultura Familiar da Região-Sul (Fetraf-Sul), entidade ligada a aliados políticos da líder do bloco de apoio ao governo, Ideli Salvatti (PT-SC). Colombo e Ideli são adversários históricos em Santa Catarina.

Nome escolhido pela base aliada e confirmado como relator da CPI, Inácio Arruda (PCdoB-CE) propôs aos senadores que se investigue "toda denúncia" de irregularidade que chegar à comissão. "Temos que investigar irregularidades de qualquer governo", sustentou. Na audiência de ontem, os senadores elegeram a tucana Lúcia Vânia (GO) como vice-presidente da comissão.

Peemedebista fala em veto

A substituição de Valter Pereira (PMDB-MS) - primeiro cotado para relatar a CPI das ONGs - por Inácio Arruda (PCdoB) ainda repercute. Pereira, o peemedebista que orquestrou a rebelião do partido no Senado há duas semanas, tem declarado pelos corredores do Congresso que teve o nome vetado pelo líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (PMDB-RO), por orientação do Palácio do Planalto. "Essa CPI é nitroglicerina pura, e o Planalto não quer um peemedebista no posto", afirmou.

Raupp nega que tenha recebido orientação do Palácio do Planalto para recuar na indicação de Pereira. O líder peemedebista ponderou que fez a mudança porque não seria interessante ao partido manter um de seus integrantes como relator. "O PMDB não tem nada a ganhar com essa relatoria", afirmou. Raupp considera que o cargo renderá apenas desgaste diante das potenciais linhas de investigação com foco em gente próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na oposição, no entanto, há a convicção de que a escolha de Inácio Arruda para relator pode ter sido um erro estratégico. Eles apostam que Arruda vai adotar uma linha mais independente, a exemplo do que ocorreu com o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) na CPI dos Correios. (MR)

CB, 11/10/2007, Política, p. 6

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