VOLTAR

CPFL negocia incorporação da Ersa para criar gigante da energia renovável

OESP, Negócios, p. B22
16 de Abr de 2011

CPFL negocia incorporação da Ersa para criar gigante da energia renovável
Conversas estão avançadas e preveem a criação de uma nova empresa, formada com ativos dos dois grupos, que seria controlada pela CPFL; o projeto inclui, num segundo momento, uma operação de abertura de capital na bolsa de valores

David Friedlander

Poucos dias depois de investir R$ 1,5 bilhão numa das maiores companhias de energia eólica do País, a CPFL negocia a incorporação da Ersa, uma promissora empresa de energias renováveis. Os entendimentos estão avançada e a operação pode ser fechada em breve, por meio de uma troca de ações entre a CPFL e os vários sócios da Ersa, liderados pela gestora de recursos Pátria.
Formalmente, a operação seria apresentada como uma fusão, para a criação da CPFL Renováveis. Pelo desenho já aceito pela maioria das partes, o controle da empresa ficaria com a CPFL, que teria uma participação de cerca de 60%. O restante ficaria com os atuais sócios da Ersa (Pátria, Eton Park, BTG Pactual, GMR Energia, Bradesco e DEG).
Os planos para a nova empresa incluem, num segundo momento, a abertura do capital para terceiros na bolsa de valores. Além de uma capitalização, o IPO (oferta pública inicial de ações, em inglês) funcionaria como uma porta de saída para os sócios da Ersa interessados em liquidar suas posições. Procurados, CPFL e Pátria não quiseram se pronunciar sobre a transação.
Fechado o negócio, a CPFL colocará na nova empresa seus ativos de energia renovável. A Ersa entraria inteira, com 18 usinas hidrelétricas de pequeno porte (PCHs, no jargão do setor) e 11 parques eólicos já em operação, em construção ou ainda na fase de projetos. A Ersa é uma empresa nova, com pouco mais de três anos de atividade, e vem sendo construída por um grupo de investidores arregimentados pelo Pátria, que cuida da gestão do negócio.
De 2009 para o ano passado, o número de usinas em operação aumentou de três para oito. Com isso, o faturamento deu um salto de R$ 42 milhões para R$ 110 milhões. Este ano, outras três usinas deveriam entrar em operação.
Aposta. O movimento da CPFL mostra que a energia alternativa já não é mais uma aventura típica de investidores de nicho, mas tornou-se uma aposta das grandes companhias de energia.
Afinal, com R$ 12 bilhões de faturamento no ano passado, a CPFL é uma das maiores empresas da área de energia tradicional e é controlada por acionistas conservadores em seus investimentos, como o grupo Camargo Corrêa e o fundo de pensão Previ (dos funcionários do Banco do Brasil).
Para crescer no novo negócio, há mais de um ano a CPFL vem buscando no mercado operações que garantam não apenas ativos, como também conhecimento na área de energias renováveis. Na semana passada, a própria CPFL anunciou a compra da Siif Énergies, dona de quatro usinas eólicas em operação no Ceará e de vários outros projetos, por R$ 1,5 bilhão. Ao todo, a empresa já investiu R$ 3 bilhões em energia eólica.
Essas aquisições permitiram que a CPFL alcançasse o posto de segunda maior geradora privada do País, ultrapassando a americana AES. A empresa é líder no setor de distribuição de energia, com 13% do mercado, e também na comercialização, com 21% de participação.
Mas, pilotada em suas ações estratégicas pela Camargo Corrêa, a empresa quer mais. A ambição da CPFL é tornar-se um dos consolidadores do setor brasileiro de energia.

OESP, 16/04/2011, Negócios, p. B22

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110416/not_imp707084,0.php

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.