VOLTAR

CPFL disputa leilão de Belo Monte

OESP, Economia, p. B11
11 de Fev de 2010

CPFL disputa leilão de Belo Monte
Empresa aguarda regras do leilão da usina, mas deve se associar ao consórcio Odebrecht-Camargo Corrêa

Renée Pereira

A CPFL Energia deve contar com a Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, para atingir as metas de expansão do parque gerador. O objetivo é triplicar a capacidade de produção até 2014, de 1.700 para 5 mil megawatts (MW). Parte desse volume virá de fontes alternativas, como usinas de biomassa e plantas eólicas. O restante poderá sair de uma participação na construção da terceira maior hidrelétrica do País (Belo Monte), cujo leilão ocorrerá em abril, conforme promessa do governo federal.

A empresa deverá se associar ao consórcio Odebrecht-Camargo Corrêa para disputar a concessão da usina, localizada no Pará. Há mais de um ano a companhia estuda o empreendimento, de 11.233 MW de potência e investimentos entre R$ 16 bilhões e R$ 30 bilhões. Mas a participação no projeto apenas será fechada depois da divulgação das regras do leilão, como preço e condições de financiamento.

A expectativa é que o edital com as condições da disputa seja publicado nas próximas semanas no Diário Oficial. As regras vão acelerar a formação dos consórcios que vão disputar a usina. O que tem se desenhado até o momento é a formação de dois grupos, um liderado por Odebrecht e Camargo Corrêa e outro pela Andrade Gutierrez.

Nesse último caso, um dos parceiros mais prováveis é a estatal Cemig, já que a construtora se tornou sócia da empresa. Além disso, cogita-se no mercado a entrada dos autoprodutores Vale e Votorantim nesse grupo. Consultadas, as duas empresas afirmaram que ainda não assinaram nenhum acordo e aguardam a publicação do edital.

Outras nomes de peso que podem dar mais competitividade ao processo são os grupos Suez (que está construindo a Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira) e Neoenergia. Embora a Suez tenha afirmado que ainda estuda a sua participação, fontes afirmam que os executivos da empresa já cogitaram liderar um terceiro consórcio, com a presença também de uma empreiteira estrangeira e também de uma subsidiária do Grupo Eletrobrás.

ESTATAL

Ontem, o governo se reuniu com a estatal e algumas construtoras para definir como será a participação das empresas no leilão. Essa definição também tem sido amplamente aguardada pela iniciativa privada para definir a participação na disputa.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, que participou da reunião, disse que a tendência do governo federal é de repetir em Belo Monte o que foi feito no leilão das hidrelétricas do Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau). Ou seja, colocar uma subsidiária da Eletrobrás em cada consórcio que decidir entrar na disputa para aumentar a competição.

"O que não quer dizer que está descartada a outra possibilidade", disse Tolmasquim, se referindo à modelagem que vem sendo discutida, que deixaria a Eletrobrás de fora do leilão para se associar, posteriormente, ao vencedor da disputa.

Colaborou Leonardo Goy

OESP, 11/02/2010, Economia, p. B11

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.