VOLTAR

COVID-19 avança pelos territórios quilombolas, contamina mais 2.500 pessoas e mata 127

Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas - http://conaq.org.br/
Autor: Por Maryellen Crisóstomo - Ascom Conaq
06 de jul de 2020

COVID-19 avança pelos territórios quilombolas, contamina mais 2.500 pessoas e mata 127

O aumento do número de óbitos e a ausência de ações efetivas do Estado brasileiro para o combate à proliferação da Covid-19 nos territórios quilombolas têm forçado a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) junto com as organizações quilombolas estaduais, a criarem metodologias de monitoramentos dos casos nos quilombos.

Com o monitoramento mais rigoroso, as coordenações Estaduais têm compartilhado o levantamento dos casos e a preocupação com a falta de segurança a que estão acometidos os territórios. "O movimento nacional quilombola nos fortaleceu e criou mecanismo para a gente saber quantos de nós estão doentes. Mas, ausência do estado está muito evidente em várias formas de violências para além da assistência em saúde" enfatiza Núbia Cristina, coordenadora da Conaq- AP.

O Estado do Rio de Janeiro soma 36 óbitos, seguido do Pará, com 35 e Amapá com 16. Nesta semana, Rio Grande do Norte e Tocantins entraram para a relação de Estados com óbitos. Região Norte representa 42,4% das morte por COVID-19 entre a população quilombola

Os dados levantando pela Conaq junto aos comunidades quilombolas, ficam disponíveis na plataforma virtual: quilombosemcovid-19.org elaborada em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).

Com 2.590 casos de contaminação em quilombos de 20 Estados e 127 óbitos, a Conaq tem denunciado a subnotificação por parte das autoridades sanitárias. O Estado do Amapá é o terceiro em número de óbitos e registrou a primeira morte por COVID-19 em 11 Abril. "Nos municípios onde não há discussão sobre as questões raciais eles nem evidenciam os casos em comunidades quilombolas" relata Cristina.

Pará, Rio de Janeiro e Maranhão são os estados com o maior número de quilombolas infectados. Os três somam juntos, 90,7% do total de casos confirmados entre os 20 Estados. "Já vivíamos em situação de falta de políticas públicas onde a saúde, principalmente, já era caótica. Com a chegada da Covid-19 a situação piorou de forma que o sofrimento tem sido imenso entre nós", relato Magno Nascimento - coordenador a Malungu-PA

A região Norte do Brasil concentra 39,9% do total de pessoas contaminadas, relacionadas no levantamento autônomo da Conaq, seguida pelas Regiões Sudeste e Nordeste com 33,7% e 26,01 %, respectivamente.

Rejane de Oliveira, coordenadora da Conaq pelo Rio de Janeiro, que lidera o índice de óbitos e é o segundo com o maior número de contaminações, avalia que a Covid-19 evidencia as ausências do Estado brasileiro junto aos territórios quilombolas. "A Covid-19 está quebrando muita coisa, principalmente o racismo", enfatiza.

A Região Nordeste apresenta como a terceira mais afetada pela Covid-19 e registra 29 óbitos. "Onde há vidas, há esperança, pois vidas quilombolas importam" ressalta Isabel Cristina, coordenadora da Conaq pelo Ceará.

A dificuldade de deslocamento dos quilombolas para os centros de atendimento em saúde mais estruturados e a falta de efetividade do Estado em realizar os testes corroboram para com a subnotificação do crescente número de casos entre a população quilombola. "Fica complicado para a gente ter noção de quantos de nós precisam de pelo menos apoio moral porque a gente não tem condições de fazer o papel do Estado e ofertar atendimento em saúde" conclui Cristina.

http://conaq.org.br/noticias/boletim-epidemiologico-conaq/

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.