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Corais de proveta

O Globo, Revista O Globo, p. 80-83
03 de dez de 2006

Corais de proveta

Os Recifes de Corais são as florestas tropicais dos mares. Deles dependem uma infinidade de formas de vida, de peixes a crustáceos, entre outras criaturas menos conhecidas. Mas os recifes estão também ameaçados e no Brasil já são muitos os degradados. Para tentar recuperar esses ecossistemas, cientistas de instituições brasileiras começaram a reproduzir corais - os animais cujo esqueleto calcário é a base dos recifes -- em laboratório. Mais do que isso os filhotes - chamados de recrutas - são reintroduzidos no mar, para que sigam seu caminho e formem novas colônias.

O trabalho faz parte do Projeto Coral Vivo, que reúne pesquisadores do Museu Nacional/UFRJ, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), do Jardim Botânico e do Ministério do Meio Ambiente. Cientistas do projeto foram os primeiros a filmar a desova de corais na natureza e a acompanhar todas as fases de reprodução de um coral em laboratório.

- Há dez anos começamos a estudar as principais espécies formadoras de recifes. Hoje, trabalhamos com dez das 15 espécies de recifes brasileiros. Sabemos dizer até o dia e a hora que certa espécie vai desovar - diz Clovis Barreira e Castro, um dos gestores do projeto.

A maioria dos recifes brasileiros está concentrada em Abrolhos, no litoral da Bahia. Mas os recifes ocorrem também na costa de estados do Norte e Nordeste, em especial Pernambuco.

Os recifes coralinos precisam de águas quentes. Isso significa que em regiões de águas mais frias, como a costa do Estado do Rio, têm apenas comunidades, mas não chegam a abrigar recifes. Em Abrolhos, os recifes alcançam 25 metros de altura, formas monumentais que levaram 10 mil anos para se formar. Os corais crescem lentamente - de cinco milímetros a um centímetro por ano - e os recifes são formados a partir do lento acúmulo de seus esqueletos calcários. Para chegar ao tamanho de uma bola de futebol, por exemplo, uma colônia de coral leva 20 anos.

Os corais crescem devagar, mas sua destruição é rápida. No Brasil, eles sofrem com poluição, redes de arrasto (verdadeiros tratores do fundo do mar) e turismo desordenado.

No passado, muitos recifes foram destruídos para que os blocos calcários fossem usados como material de construção. Outra ameaça é o aquecimento global, que mata as algas que vivem em simbiose com os corais. A equipe do Projeto Coral Vivo reproduz os animais num laboratório que mantém no Ecoparque, em Arraial d'Ajuda, na Bahia.

- É um trabalho lento e paciente, mas o objetivo é desenvolver condições de repovoar as áreas degradadas - diz Débora de Oliveira Pires, outra gestora do projeto, que conta com o apoio da Petrobras, do Ecoparque e da DPaschoal.

Os pesquisadores do projeto Coral Vivo também trabalham com educação ambiental e formarão professores para explicar à população das áreas próximas a recifes a necessidade de conservá-los.

Indispensáveis para a diversidade dos mares

Os pesquisadores do Projeto Coral Vivo aprenderam como fazer fecundação in vitro das espécies de corais brasileiros para tentar acelerar sua reprodução, já que em alguns locais restaram poucas matrizes na natureza.

E reproduzir os corais é essencial para preservar a biodiversidade do Atlântico Sul.

Os corais prestam uma série de serviços indispensáveis. Os recifes protegem a costa da fúria do mar e atraem turistas. Além disso, são berçários da vida marinha.

Muitas espécies de peixes, moluscos, crustáceos, entre várias outras, reproduzem-se e se alimentam nos recifes.

- Eles são fundamentais, inclusive para espécies comercialmente importantes - diz Clovis Castro.

Os recifes são também habitat de espécies que podem ser fontes em potencial para a indústria química e farmacêutica.

O Globo, 03/12/2006, Revista O Globo, p. 80-83

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