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Coppe: tragédia igual na serra, só em 500 anos

O Globo, Rio, p. 14
22 de Fev de 2011

Coppe: tragédia igual na serra, só em 500 anos

Estudantes fazem protesto devido a calor em escola. Mancha vermelha aparece no mar

O temporal que castigou a Região Serrana em 12 de janeiro e causou a morte de mais de 900 pessoas foi tão raro que pode levar cerca de 500 anos para ocorrer novamente. A conclusão é de um estudo da Coordenação de Programas de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ. Segundo a Agência Brasil, um relatório foi encaminhado à Presidência da República e esta semana será entregue ao governo do Rio.
De acordo com o professor Paulo Canedo, especialista em hidrologia da Coppe e responsável pelo estudo, os estragos observados na região foram conseqüência de uma combinação de fatores: uma chuva contínua, que deixou o solo encharcado e instável; em seguida uma chuva frontal, decorrente de uma frente fria; depois uma chuva fortíssima em pontos localizados, provenientes da formação de nuvens cúmulos-nimbos.
- Uma chuva de verão dura dez, 15 minutos. Na serra, durou quatro horas e meia. Ela se formou de maneira estupidamente forte, com nuvens a 14km de altura. Conforme ela desabava, ia se formando outra. Foi como se tivessem caído 18 tempestades de verão seguidamente, com um enorme poder de destruição - afirmou.
Segundo o pesquisador, o fenômeno teve uma agravante: a formação nos rios de barragens naturais que se romperam, com o material - terra, pedras e árvores - arrastado pela tromba d'água. Canedo destacou que, diante deste cenário, não seria possível evitar uma tragédia. Mas defendeu que medidas preventivas poderiam ter reduzido o número de vítimas.
- Contra um ataque cardíaco fulminante não se tem o que fazer, mas isso não quer dizer que não devamos tentar levar uma vida saudável - comparou. Era necessária uma política de ocupação adequada, projetos de mitigação de efeitos de cheias, por exemplo. Não evitaria a catástrofe, mas talvez o número de vítimas cairia à metade.
A forte estiagem que atinge o estado nos últimos dias pode estar com os dias contados. De acordo com o Climatempo, uma frente fria deve chegar ao Rio esta semana. A previsão, segundo o instituto de meteorologia, é de chuva entre amanhã e quinta-feira. Segundo o Climatempo, a seca é atípica para esta época do ano. Na Praça Mauá, o total de chuva acumulado de 1o- a 20 de fevereiro não chegava a 7mm - a média é de aproximadamente 106mm.
Por causa do forte calor, estudantes do ensino médio do Colégio Pedro II, em São Cristóvão fizeram um protesto, no início da tarde desta segunda-feira, contra a falta de refrigeração nas salas de aula. Muitos usaram biquínis, sungas, óculos de mergulho e bóias no protesto, apelidado de "Sauna de aula, não!".
- A reivindicação é justa. O Rio está cada vez mais quente, nada justifica a falta de ar condicionado nas salas. Além disso, os poucos ventiladores são muito barulhentos, fazem com que o professor tenha um esforço vocal muito grande. Eu mesmo já tive problemas na voz por causa disso - disse o professor de matemática Eduardo Vicente, que leciona na escola desde 1997.
Por volta das 14h, após duas horas de protesto, PMs dispersaram os estudantes usando spray de pimenta e cassetetes, alegando que eles estavam atrapalhando o trânsito. O diretor do grêmio, João Pedro Accioly Teixeira, de 17 anos, foi apreendido. O estudante Caio Esmeraldo Miranda, de 17 anos, reclamou da repressão policial:
- É uma arbitrariedade, só queremos uma escola melhor.
A direção da escola não se manifestou. O diretor do Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II (Sindscope), professor Selmo Nascimento, e a vice-presidente da Associação de Docentes do Colégio Pedro II (ACDPII), Heloísa Levcovitz, estão agendando uma reunião com os estudantes e a direção para discutir o assunto.
Em mais um dia de sol forte e praias cheias, uma enorme mancha vermelha apareceu ontem no mar em São Conrado. De acordo com o Instituto estadual do Ambiente (Inea), a mancha pode ser a mesma que apareceu na semana passada em Copacabana e é resultado da presença de fragmentos de macroalgas na água. Típicas do costão rochoso, as algas da espécies Heterosiphonia crispella, Aglaothamnion sp e Chlorohyta não comprometem a balneabilidade nem causam risco à saúde dos banhistas, segundo o Inea.

O Globo, 22/02/2011, Rio, p. 14

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