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Controlar gastos é cuidar do planeta

O Globo, Economia, p. 53
29 de out de 2006

Controlar gastos é cuidar do planeta
ONG lança série de publicações em prol do uso consciente do dinheiro e do crédito

Equilibrar a satisfação das necessidades pessoais com o impacto que elas podem ter na sociedade e no meio ambiente. É sob este ponto de vista que o Instituto Akatu - Pelo Consumo Consciente trata a questão do endividamento. Há dois anos debruçada sobre esse tema, a ONG - que nasceu como braço do Instituto Ethos - lança amanhã, em São Paulo, uma série temática chamada "Consumo consciente do dinheiro e do crédito". São quatro publicações que abordam, a partir de questões cotidianas, estratégias para sanar o rombo nas contas pessoais, mas sempre levando a reflexões sobre como a falta de cultura financeira prejudica não só o bolso do consumidor, mas toda a sociedade.

- O superendividamento é um sintoma da dificuldade que temos de lidar com recursos escassos, caso do dinheiro, do tempo e do próprio planeta.

O equilíbrio é a raiz da sustentabilidade - diz Aron Belinky, gerente de projetos especiais do Instituto Akatu.

Práticas empresarias não estão de acordo com o discurso responsável
E as publicações - elaboradas a partir de uma parceria com o ABN Amro Real, o Ibi e o Grupo VR -, continua. Belinky, chegam no momento certo, em que a sociedade está mais atenta ao tema, mediante a ocorrência de altas taxas de inadimplência.

As quatro publicações atendem a diferentes públicos. O "ABC do consumo consciente do dinheiro e do crédito" é uma espécie de guia de bolso para o consumidor final. Já os multiplicadores terão acesso a um tipo de publicação específica. E as pessoas que já têm uma base boa de informação e buscam reflexão terão à disposição a o quinto caderno da série "Diálogos" e o caderno temático, com abordagens mais profundas.

Para o consumidor comum, uma das recomendações para manter o controle dos gastos é estar atento a pequenas despesas.

- Isso ficaa mais claro quando se contrapõe que quem depositar na poupança R$ 2 ao dia terá ao longo de 30 anos cerca de R$ 60 mil - alerta o gerente de projetos do Akatu.

Educação para o consumo é fundamental, diz a advogada Marcella Oliboni, da Comissão Especial de Superendividamento, do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública:

- Se o artigo sexto do Código de Defesa do Consumidor (CDC) tivesse aplicação imediata, essa educação para o consumo já estaria implementada.

Mas, na verdade, só isso não basta.

Alguns bancos estão fazendo, sim, um belo trabalho de conscientização. A prática empresarial, no entanto, continua fazendo uma propaganda agressiva pelo crédito fácil. É possível contratar e renegociar empréstimo até pelo terminal eletrônico.

Marcella diz que para reequilibrar as relações entre fornecedores e tomadores de crédito, a primeira providência seria uma mudança na política de crédito: - É necessário ainda o controle da publicidade. Afinal, o que o CDC busca é o equilíbrio, apesar de a relação de crédito já nascer desequilibrada.

Idec diz que consumidor deve estar alerta às armadilhas do crédito
Gerente de Informação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a socióloga Lisa Gunn diz que os consumidores devem estar alerta às armadilhas do crédito fácil:

- Fizemos uma pesquisa com financeiras e observamos que na agressividade da propaganda elas não expõem claramente as condições que podem levar os consumidores a uma situação crítica.

O resultado da pesquisa realizada pelo Idec está na edição online da revista do instituto, que pode ser avessada no www.idec.org.br. As publicações do Matu também podem ser baixadas gratuitamente pela internet, no site www.akatu.org.br. (Luciana Casemiro)

O Globo, 29/10/2006, Economia, p. 53

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