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Contato com brancos deixa sequelas

CB, Brasil, p.15
02 de jul de 2004

Contato com brancos deixa seqüelas
  Doenças típicas de homem branco estão atacando índios de todo o país e se transformaram em um problema de saúde pública. De acordo com dados do Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), 354.178 índios adoeceram no ano passado. Isso representa 88% de toda a população indígena brasileira.
  As doenças respiratórias são as que mais contaminam índios, afetando 53,5 mil deles. A principal infecção respiratória que atingiu as aldeias foi a gripe, atacando 26,5 mil índios no ano passado.
As aldeias dos wai-wai, com população estimada em duas mil pessoas, são as que mais sofrem com gripes. Há índios dessa etnia no Pará, Amapá, Roraima, Amazonas e até nas Guianas. Com imunidade baixa, é comum que uma simples gripe contraída por um wai-wai logo se transforme em pneumonia.
  De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Alexandre Padilha, as doenças respiratórias são mais comuns entre as etnias que vivem em grupos sob a mesma maloca. Há aldeias, como as ianomâmi, que formam grupos de até 50 índios, criando ambiente propício para a proliferação de gripe, explica Padilha.
  Nas aldeias dos zoe, no oeste do Pará, os índios foram contaminados por uma virose que ataca o sistema respiratório. Na segunda metade da década passada, a virose matou metade dessa população indígena, que foi reduzida de 340 para 170 pessoas em cinco anos.
A virose foi levada aos zoe por missionários brancos. Antes das visitas, eles viviam isolados e sem doenças respiratórias, diz Padilha. Outra doença levada aos zoe pelos brancos foi a malária.
A diarréia também não deu descanso aos índios no ano passado. Pelos registros da Funasa, 23,6 mil deles tiveram infecção intestinal. Os médicos da Funasa que tratam de saúde indígena atribuem a alta incidência de diarréia aos hábitos rudimentares que ainda são mantidos em diversas comunidades. Muitos índios, por exemplo, ainda bebem água do rio, acreditando que ficarão fortalecidos para a caça. Na maioria das aldeias não há saneamento básico, ressalta Padilha. (UC)

CB, 02/07/2004, p. 15

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