O Globo, Ciência, p. 34
16 de Mai de 2012
Consumo atual demanda uma Terra e meia
WWF diz que desde a Rio 92 mundo perdeu 28% de plantas e animais; Brasil é o país que mais preserva recursos
Catarina Alencastro
catarina.alencastro@bsb.oglobo.com.br
BRASÍLIA. A menos de um mês do início da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), a ONG ambientalista WWF divulgou ontem um relatório apontando que desde a Rio 92 o mundo perdeu 28% de suas espécies de plantas e animais e que o consumo da população global sobrecarrega a Terra em 50%. Ou seja: para dar conta de satisfazer a demanda atual da população, seria necessário um planeta e meio. A ONG diz que ainda há tempo para reverter o quadro e faz um chamado a governantes e cidadãos à responsabilidade para que isso aconteça. A oportunidade seria a Rio + 20, que será realizada no país que, segundo o documento "Planeta Vivo 2012, a Caminho da Rio +20", responde pela maior "biocapacidade" ou disponibilidade de recursos naturais para suportar o planeta: 15,4% do total.
- O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do mundo e tem um papel fundamental nesse processo de mudança, que deve ocorrer não só no discurso, mas principalmente na prática -destacou Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral da WWF Brasil, e ex-secretária Nacional de Biodiversidade e Florestas.
Segundo o relatório, se o ritmo de produção e consumo praticados no mundo for mantido, em 2030 nem mesmo dois planetas serão suficientes para atender à população. Em 2050, quando a população mundial deverá chegar a 9 ou 10 bilhões de pessoas, seriam necessárias três Terras. Desde a Rio 92, o mundo perdeu uma área do tamanho da Índia em florestas (ou três milhões de quilômetros quadrados). De 1996 até hoje, a demanda por recursos naturais dobrou. A pressão que sobrecarrega a natureza parte principalmente dos países ricos, cujo consumo de recursos naturais, a chamada pegada ecológica, chega a ser cinco vezes maior do que a das nações de baixa renda.
O paradoxo, demonstra a ONG, é que as economias desenvolvidas, para manter o padrão que vêm sustentando, dependem das riquezas naturais das economias ainda em desenvolvimento, cuja população pouco se beneficia da exploração. Enquanto a média global de perda da biodiversidade foi de 28%, nos países pobres o índice chegou a 60% nas duas últimas décadas.
"Estamos vivendo além dos meios da Terra e estamos distribuindo esses recursos insustentáveis de forma desigual: os países e comunidades mais pobres arcam com uma parcela desproporcional dos efeitos negativos da crescente demanda global por recursos, enquanto os países industrializados desfrutam da maior parte dos benefícios. As gerações futuras enfrentarão a escassez de recursos e a degradação ambiental - algo de que não têm culpa -, que cada vez mais provocarão conflitos e insegurança", diz o estudo.
Os países com maior pegada ecológica por pessoa são EUA, Canadá, Holanda, Irlanda, Dinamarca, Bélgica, Austrália, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes. Os que mais contribuem com disponibilidade de recursos naturais, 60% do total, são: Brasil, China, EUA, Rússia, Índia, Canadá, Indonésia, Argentina, Austrália e República Democrática do Congo.
O Globo, 16/05/2012, Ciência, p. 34
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