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Construtoras só ficam com obra em Belo Monte

OESP, Economia, p. B7
05 de Mai de 2010

Construtoras só ficam com obra em Belo Monte
Sem espaço no grupo de controle do consórcio vencedor, empresas tentam assegurar participação no empreendimento

Gerusa Marques de Brasília

Grandes empreiteiras, como Camargo Corrêa, Odebrecht e Andrade Gutierrez, vão ficar de fora do grupo de sócios investidores da hidrelétrica de Belo Monte (PA). Essas empresas só devem participar do projeto como contratadas para tocar a obra, e não como integrantes da Sociedade de Propósito Específico (SPE) que será constituída para controlar a usina no Rio Xingu.
A avaliação de uma fonte do setor, que participa das discussões, é de que não há espaço para mais construtoras entre os sócios controladores , que pelas regras têm de se restringir a 20%.
A reestruturação do consórcio vencedor, liderado pela Eletrobrás Chesf, já está sendo costurada. O problema inicial é que, com a permanência da Queiroz Galvão e da J. Malucelli no grupo, a participação de construtoras já soma 40%. Como este porcentual tem de ser reduzido, não haveria espaço para a entrada de outras empreiteiras.
Também devem entrar como sócios estratégicos a Eletronorte e fundos de pensão de estatais. "As empreiteiras estão disputando a construção da usina, doidinhas para entrar", disse a fonte. A Andrade Gutierrez já estaria impedida de integrar a SPE porque fez parte do consórcio derrotado, mas Camargo e Odebrecht, que desistiram do leilão, teoricamente poderiam entrar. A restrição, entretanto, é de integrantes do consórcio vencedor, que não querem abrir espaço para as grandes empreiteiras.
Também estaria incomodando o grupo da Chesf um possível acordo, antes do leilão, entre Odebrecht, Camargo e Gutierrez para construir a usina, caso o consórcio liderado pela empreiteira mineira fosse o vencedor. Apostando na hipótese de o grupo da Chesf não fazer uma oferta, a Andrade Gutierrez ofereceu R$ 82,90 por megawatt/hora, o que ficou bem acima do preço vencedor, de R$ 77,97.
"Antes, Belo Monte não tinha viabilidade econômica, agora todo mundo acha que tem", afirmou a fonte, que avalia que a hidrelétrica daria lucro com essa tarifa, mesmo que o custo fosse de até R$ 30 bilhões. O investimento estimado pelo governo é de R$ 19 bilhões. A Chesf prometeu fazer por menos.
Autoprodutores. Além de construtoras, o projeto prevê a entrada de autoprodutores - empresas que podem usar para consumo próprio a energia equivalente à participação. Nesse segmento, há negociações com a Gerdau, Braskem e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A Vale, que participou do consórcio derrotado, também estaria interessada, mas a informação é que, para permitir sua entrada, o megawatt/hora da energia que a mineradora poderia consumir não sairia por menos de R$ 100.

Para lembrar

A precariedade do grupo vencedor do leilão (Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Cetenco, Mendes Jr., Contern, Gaia e a estatal Chesf, controlada pela Eletrobrás) para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, realizado no dia 20 de abril, ficou evidente minutos depois do leilão, quando a Eletrobrás começou a procurar novos parceiros.
Foram citados como possíveis parceiras as siderúrgicas Gerdau e CSN e a petroquímica Braskem, por serem grandes consumidores de energia. As construtoras Odebrecht, Camargo Corres e Andrade Gutierrez também foram lembradas.

OESP, 05/05/2010, Economia, p. B7

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100505/not_imp547114,0.php

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