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Construção de usinas nucleares não deve desacelerar após Fukushima

OESP, Vida, p. A25
18 de set de 2011

Construção de usinas nucleares não deve desacelerar após Fukushima
Em debates sobre energia sustentável e segurança energética após o desastre no Japão, realizados no Fórum Econômico Mundial, na China, ficou claro que a necessidade de energia em países em desenvolvimento falará mais alto que o risco de acidentes

Cláudia Trevisan
ENVIADA ESPECIAL
DALIAN, CHINA

Contrariando as previsões surgidas após o vazamento da usina nuclear de Fukushima, há seis meses, o desastre japonês não deve levar a uma redução drástica dos planos de construção de usinas nucleares, especialmente nos países em desenvolvimento.
É o que ficou claro nos debates sobre energia sustentável e segurança energética pós-Fukushima na edição de verão do Fórum Econômico Mundial, na semana passada, em Dalian, na China.
"O abandono de usinas nucleares pode ser viável em um país rico como a Alemanha, mas não no Paquistão, onde a população precisa urgentemente de energia de qualquer fonte, de qualquer lugar", afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia do Paquistão, Khan Jamali.
Entre os emergentes, a China é o melhor exemplo da aposta nesse tipo de energia. Com demanda crescente, tem 28 plantas em construção e planos de iniciar outras 24 - no mundo todo, são 440 usinas em operação e outras 52 em construção. Depois de Fukushima, o governo determinou a revisão das normas de segurança de todas as plantas existentes e em obras, mas não suspendeu o plano de expansão das usinas. O Brasil também não descarta construir mais delas (mais informações nesta pág.).
Sem escolha. A rica Coreia do Sul mantém o cronograma de construir 12 novas unidades, que se juntarão a 20 já em operação. "Nós não temos como gerar eletricidade de outra maneira. Não temos escolha", ressaltou o professor Suh Nam Pyo, presidente do Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia. Atualmente, 30% da energia consumida na Coreia vem de fontes nucleares.
Apesar de ter oferta abundante de petróleo e gás, os Emirados Árabes Unidos também constroem usinas nucleares, com o objetivo de diversificar sua matriz energética. "Nossa estratégia não vai mudar em razão de Fukushima. Não podemos condenar toda a indústria por causa do desastre no Japão", disse o ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, lembrando que existem mais de 400 reatores em operação no mundo.
Na plateia do painel sobre segurança energética, o deputado da região alemã da Bavária, Markus Blume, disse que seu país fez uma aposta no futuro ao decidir abandonar o uso de energia nuclear até 2022. Se a escolha der errado, terá consequências negativas sobre a competitividade econômica. Se for bem-sucedida, dará aos alemães liderança no setor de energia renovável.
A transformação da matriz energética do país exigirá investimentos de 100 bilhões e será especialmente desafiadora na Bavária, onde 60% da energia tem origem nuclear, observou o parlamentar.
Representante da indústria, o russo Artem Volynets, executivo-chefe da EN+Group, não acredita que haverá significativa redução no uso de energia nuclear. "Pode haver uma desaceleração, mas não será drástica", avaliou Volynets.

Custo elevado
Estudo da ONG Greenpeace mostra que o Japão teria de investir US$ 280 bilhões até 2020 para substituir a energia nuclear pela solar e eólica.

OESP, 18/09/2011, Vida, p. A25

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,construcao-de-usinas-nuclea…

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