VOLTAR

Construção da fábrica da Brancocel inicia em outubro (RR)

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Tiana Brazão
22 de Abr de 2004

A construção da instalação da fábrica da BrancoCel - Indústria de Celulose será iniciada em outubro deste ano. Duas áreas estão sendo estudadas: na fazenda Quintandinha ou na região Santa Cecília, em ambas próximas ao rio Branco, no município do Cantá.

A afirmação é do diretor de logística e financeiro da empresa, Cláudio Schmidt, que esteve reunido em Brasília, na semana passada, com representantes da Eletronorte discutindo os últimos detalhes do fornecimento de energia a ser utilizada para a fabricação de celulose em Roraima.

Schmidt disse que a fábrica vai trabalhar com motores de alta potência que irão consumir mais energia do que o Estado consume atualmente. E, se não houver uma preparação prévia da subestação, poderá ocorrer um blecaute na rede elétrica que vai de Boa Vista a Santa Elena de Uairén, na Venezuela.

Por esse motivo, os representantes da Eletronorte estiveram reunidos em Santa Elena com a diretoria da Edelca (estatal energética venezuelana) para discutir o reforço que deverá ser feito nas subestações de Santa Elena e de Boa Vista, com a finalidade de atender a necessidade de energia da fábrica sem prejudicar o abastecimento da Capital.

O diretor comentou sobre o problema da comercialização da energia para o funcionamento da fábrica. A CER (Companhia Energética de Roraima) não tem capacidade de fornecer para a indústria 230 megawats de potência.

"Esse é um problema do Estado, mas estamos nos envolvendo nesta questão porque há um incentivo fiscal no fornecimento de energia durante os dez primeiros anos de funcionamento da fábrica. Por isso, fomos até Brasília. A negociação do governo com a Eletronorte tornou-se lenta. Precisávamos mostrar que há realmente um interesse por parte da BrancoCel em desenvolver suas atividades", disse.

"Não somos mais um daqueles projetos que aparecem em Roraima para receber dinheiro do governo e depois ir embora. É totalmente o inverso, temos um investimento no Estado. São 15 mil hectares de acácia plantados e este ano estamos preparando cinco milhões de mudas para plantar mais cinco mil hectares. Cada hectare de acácia plantado custa quase U$$ 2.000 para a empresa. Gastamos muito para o projeto se viabilizar", complementou.

Depois da reunião com representantes da Eletronorte, Cláudio Schmidt disse que o processo de comercialização da energia elétrica está adiantado. A empresa já obteve licença ambiental e conseguiu aprovar no CDI (Conselho de Desenvolvimento Industrial) incentivos fiscais para o fornecimento de energia elétrica.

Agora está aguardando o parecer da Procuradoria Geral do Estado quanto à legalidade do decreto para que seja publicado em diário oficial, que deverá acontecer até o dia 23 deste mês. A partir daí é que o Governo irá assinar com a BrancoCel os contratos necessários para garantir o fornecimento de energia.

"Como a CER não fornece energia na quantidade que nós precisamos, tem esta fase de negociação com a Eletronorte, Governo do Estado e Eletrobrás, para viabilizar o fornecimento. Já tivemos reunião com a Aneel [Associação Nacional de Energia Elétrica], que aconteceu em janeiro, fevereiro e março. A questão é que a Boa Vista Energia é subsidiária, por isso necessitamos da participação da Eletronorte neste processo", disse.

Segundo ele, dentro de 15 dias haverá mais uma reunião com a equipe técnica da Eletronorte e provavelmente nesta reunião deve ser assinado um protocolo de intenções entre a Eletronorte, Brancocel, Eletrobrás, Governo do Estado e Ministério das Minas e Energia, deixando claro qual o investimento de cada um desses órgãos para se encerrar de vez o capítulo do fornecimento de energia.

"Queríamos começar a construção da fábrica em agosto, infelizmente toda essa questão da energia elétrica atrasou o processo em pelo menos três meses. Mas com certeza em outubro vamos iniciar a construção das instalações" frisou.

Fábrica - A instalação da BrancoCel deve ser concluída no final de 2006. A sua produção destinada à exportação tem como meta enviar 85% da celulose para a Europa e 15% para os Estados Unidos e Ásia. O investimento chega a casa dos U$$ 300 milhões.

Estima-se que sejam injetados na economia local, somente em salários, R$ 30 milhões anuais, além dos US$ 100 milhões/ano gerados com a exportação da celulose. A previsão é de que o PIB do Estado cresça até 17%.

Serão gerados cerca de 500 empregos na fase de construção da fábrica. Na área de produção, mais 630 vagas serão abertas e nas áreas florestal e de serviços de apoio, como transportes, armazéns, administração, entre outros, de 2 a 3 mil vagas em empregos diretos.

Incentivos Fiscais - De acordo com a lei no 425 de 25/03/04, o Estado está autorizado a conceder incentivos a empreendimentos agro-industriais e industriais considerados estratégicos para o desenvolvimento da região.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Aniceto Wanderley, disse que a empresa preenche todos os requisitos para receber os benefícios permitidos por lei. Mas que, de acordo com a Resolução no 04/04 de 30/03/04, do Conselho de Desenvolvimento Industrial, a partir do momento que a fábrica iniciar as operações, durante os dez anos que estiver em atividade, a BrancoCel deverá encaminhar trimestralmente um relatório com informações sobre os empregos gerados e as ações de impacto social e econômico sobre o Estado.

"Não existe mais nenhum fator que impeça a instalação da fábrica. O Conselho diretor do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Estado aprovou por unanimidade a concessão do incentivo fiscal com tarifa diferenciada para a BrancoCel. Agora é só aguardar o início da construção. Mas é preciso que tenhamos o retorno do que estamos investindo. O Estado não vai somente conceder os benefícios, vamos acompanhar os resultados do investimento" afirmou.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.