OESP, Economia, p. B16
02 de Dez de 2006
Conselho discutirá obras de Angra 3
Dificuldades com licenças ambientais de hidrelétricas e preço competitivo pesam a favor da usina nuclear
Leonardo Goy
O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, disse ontem que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deverá se reunir até o dia 15 para discutir, entre outros temas, a possibilidade de serem retomadas as obras de construção da usina nuclear de Angra 3. O CNPE é um órgão interministerial que tem a incumbência de aconselhar o presidente da República. Assim, mesmo que o CNPE se decida pela construção da usina, caberá ainda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão final sobre o assunto.
A tese da retomada de Angra 3 vem ganhando força dentro do governo, principalmente tendo em vista a dificuldade para destravar as licenças ambientais de projetos de usinas hidrelétricas como o do Complexo do Madeira, em Rondônia, e o de Belo Monte, no Pará.
Outro fato que vem pesando a favor da Angra 3 é o preço da energia que ela poderá produzir, que, por já estar próximo do da energia produzida por termoelétricas a gás, tornou-se mais competitivo. A usina já foi incluída pelo Ministério de Minas e Energia no 'cardápio' das obras de geração de energia que deverão entrar em operação nos próximos 10 anos.
Se for construída, Angra 3 poderá gerar cerca de 1.350 megawatts (MW).O investimento necessário para concluir a obra é estimado em aproximadamente US$ 1,8 bilhão.
TÉRMICAS
Rondeau também disse que o teste para verificar a situação da disponibilidade de gás natural para as usinas termoelétricas deverá começar por volta do dia 15 , depois que forem concluídas as obras de reparo em um duto na Bolívia que se rompeu em abril.
A obra de conserto do duto foi um dos fatores apontados pelo governo para explicar parte dos problemas no abastecimento de gás natural às usinas térmicas em setembro e outubro, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) verificou que pelos menos dez usinas não estavam operando a plena carga por falta de gás.
OESP, 02/12/2006, Economia, p. B16
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