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Conflitos, crises e clima levam 821 milhões de pessoas à desnutrição

O Globo, Sociedade, p. 29
12 de set de 2018

Conflitos, crises e clima levam 821 milhões de pessoas à desnutrição

SÉRGIO MATSUURA
sergio.matsuura@oglobo.com.br

A fome avançou no mundo pelo terceiro ano consecutivo, alerta o relatório "Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2018", divulgado ontem por agências da ONU. Os dados revelam que 821 milhões de pessoas foram consideradas desnutridas no ano passado, o que representa um em cada nove habitantes do planeta.
Os números retrocederam aos níveis de uma década atrás, tornando cada vez mais distante o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável que prevê a erradicação da fome até 2030.
No Brasil, o panorama da desnutrição está praticamente estagnado, com leve tendência de alta. De acordo com o relatório, existiam no país menos de 5,2 milhões de pessoas desnutridas em 2017, contra menos de 5,1 milhões nos três anos anteriores. O melhor indicador foi alcançado em 2010 e 2011, com menos de 4,9 milhões. Em 2001, antes do Programa Fome Zero, eram 20,9 milhões de desnutridos no país.
O relatório indica que a situação está se agravando por causa de conflitos, crises políticas e econômicas e mudanças climáticas, sobretudo em países da África e da América do Sul. Entre os nossos vizinhos, a situação é particularmente grave em três países: Bolívia, com tax a de prevalência de 19,8%, Paraguai, com 11,2%, e Venezuela, com 11,7% (leia mais acima).
No continente africano, a prevalência da desnutrição foi de 20,4% no ano passado. A situação era mais grave nos países da África Subsaariana (23,2%), da África Oriental (31,4%) e da África Central (26,1%).
MAIS QUENTE E FAMINTO
Segundo o relatório, muitos países em conflito tiveram a situação agravada por extremos climáticos, como a Somália e a República Democrática do Congo, que convivem há anos com guerras civis e enfrentam períodos prolongados de seca. Em alguns países do Oriente Médio e da Ásia asi tuação é a mesma.
- Por isso estamos dizendo que precisamos agir agora - afirmou Cindy Holleman, economista para segurança alimentar e nutrição na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura( FAO) e editorado relatório.
Os dados indicam que a prevalência e o número de pessoas desnutridas tendem a ser maiores em países mais expostos a extremos climáticos, pois parcela da população depende de sistemas agropecuários sensíveis às variações nas temperatura senos padrões de chuvas. As mudanças climáticas já estão afetando a produtividade de arroz, trigo e milho em regiões tropicais e temperadas, e a tendência é
que a situação se agrave.
-É chocante que, após um prolongado declínio, este seja o terceiro ano consecutivo de avanço da fome -comentou Robin Willoughby, diretor da ONG britânica Oxfam. - A fome está significativamente pior em países atingidos por secas e inundações severas. Um mundo mais quente está provando ser um mundo mais faminto.
A desnutrição é um dos problemas a serem combatidos, pois 151 milhões de crianças com menos de 5 anos estão abaixo da altura ideal para a idade em razão da má alimentação, concentradas na Ásia (55%) e na África (39%). A prevalência é extremamente alta na Ásia, onde uma em cada dez crianças menores de cinco anos enfrenta problemas com a alimentação.
Em comparação, na região da América Latina e o Caribe a relação é de uma em cada cem crianças.
Por outro lado, a obesidade também é um problema crescente. Em 2017 existiam mais de 672 milhões de adultos obesos no mundo. A prevalência da obesidade vem aumentando no mundo desde 1975, com aceleração na última década.

O Globo, 12/09/2018, Sociedade, p. 29

https://oglobo.globo.com/sociedade/fome-avanca-no-mundo-uma-em-cada-nov…

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