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Conferência supera impasse sobre clima

O Globo, Opinião, p. 16
16 de Dez de 2014

Conferência supera impasse sobre clima
Países concordam em apresentar em março e junho metas voluntárias de corte das emissões de carbono, para possibilitar um acordo no fim de 2015, em Paris

A COP 20, realizada em Lima, finalmente quebrou um impasse de mais de duas décadas que bloqueava a agenda de combate ao aquecimento global. Foi preciso que as negociações se estendessem mais de 30 horas além do encerramento previsto para que essa Conferência do Clima, com 12 dias de duração, produzisse, pela primeira vez, um acordo entre 196 países para redução das emissões de gases estufa.
O que também se destaca é a fórmula encontrada pelos negociadores para contornar a perene recusa dos governos nacionais em aceitar metas concretas, fato que levou ao fracasso dezenas de tentativas anteriores. Decidiu-se, em Lima, que os países desenvolvidos terão até março para apresentar seus planos para redução de emissões. Os demais terão até junho. Mas o que determinará o grau de adesão de cada país ao esforço global é apenas a pressão internacional. Espera-se, portanto, que as nações, temerosas da desaprovação geral diante de planos tímidos, se empenhem.
Ambientalistas taxaram o documento de fraco. Mas não se pode deixar de saudar o primeiro entendimento entre 196 países sobre mudanças climáticas em mais de 20 anos. Nem esquecer que o principal objetivo da COP 20 era encaminhar um grande acordo global, com a fixação de metas vinculantes, a ser discutido na COP 21, no final de 2015, em Paris.
A conferência de Lima programou etapas a serem cumpridas: em fevereiro, por exemplo, os negociadores voltam a se reunir para uma análise sobre algumas medidas acertadas, como o apoio à repressão ao desmatamento em florestas tropicais e a transferência de tecnologia para o combate às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento. Em março e junho, os países apresentarão seus programas para redução de emissões. No início de novembro, a ONU analisará as "cartas de intenção" dos países para avaliar se as metas voluntárias podem impedir um aumento da temperatura global superior a 2 graus Celsius, em 2100, em relação aos níveis pré-industriais.
Antes da COP 20, algumas das maiores economias fizeram anúncios animadores. A China, a maior poluidora, comprometeu-se com emissões decrescentes a partir de 2030. Os EUA, segundo maiores, prometeram cortar as emissões de carbono em 26/28% até 2025 sobre 2005. A Alemanha redobrou os esforços para alcançar as metas previstas para 2020. Mas cada um desses países terá de fazer mais no âmbito do futuro acordo global.
O Brasil terá de zerar o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, maior fonte de emissão de gases estufa do país. Precisará também investir pesadamente em fontes alternativas de energia, para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, seja no setor de transportes, seja nas usinas termelétricas que hoje sujam nossa matriz energética. O encontro de Lima foi positivo, mas há muito ainda a fazer até o final do ano que vem.

O Globo, 16/12/2014, Opinião, p. 16

http://oglobo.globo.com/opiniao/conferencia-supera-impasse-sobre-clima-…

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