VOLTAR

Confederação de Arco e Flecha aposta em indígenas de Mato Grosso

24 Horas News-Cuiabá-MT
03 de Jan de 2005

O futuro está longe das principais cidades do país, em um instrumento rústico, quase grosseiro, de seu praticante mais antigo. Parece um retrocesso se comparado às apostas de outros esportes. Mas é assim, retomando suas origens, que a modalidade olímpica menos popular do Brasil pretende prosperar e ganhar novos adeptos na temporada 2005.

A idéia dos dirigentes do tiro com arco é simples: invadir as reservas e convidar índios para os campeonatos. Em vez de fazê-los praticar com as modernas peças de alumínio e fibra de carbono, contudo, o projeto prevê o uso de aparelhos arcaicos, produzidos com bambu e folhas de palmeira.

"É muita gente com potencial para deixarmos de lado. Atirar com arco e flecha faz parte da cultura dos índios. Através de competições, podemos ressuscitar este hábito e achar talentos", explica Vicente Fernando Blumenschein, presidente da Confederação Brasileira de Tiro com Arco.

Batizado de "Tiro Nativo", o projeto deixou o papel em 1999, com a realização do primeiro torneio nacional. Agora, pode alcançar uma estatística rara em 2005. "Acho que o número de pessoas atirando com o arco indígena vai ultrapassar o dos que praticam com o instrumento mais comum, que é utilizado nos Jogos Olímpicos", relata Blumenschein.

Segundo a confederação, cerca de 250 pessoas competem no Brasil com o arco tradicional -nenhum outro esporte olímpico registra tão poucos seguidores. Até o final de 2004, ao menos 180 disparavam flechas usando o aparelho concebido pelos índios.

O projeto também escapa da região Sudeste e aposta nos rincões do Brasil. Os talentos mais proeminentes aparecem hoje em Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, justamente onde habita boa parte da população indígena. É nesse pólo que Blumenschein colheu o primeiro fruto do programa. Seu nome é Alysson Taukane, tem 19 anos e é membro da etnia Bakairi, formada por 900 índios que habitam os municípios de Nobres e Paranatinga (MT).

Ele mostrou talento nos torneios de tiro nativo. Então, fiz um teste e levei o rapaz para atirar com o instrumento usado na Olimpíada. O resultado foi excelente. Em 2005, vamos tentar dar um arco para ele. Quem sabe, em 2008, colocamos um índio representando o Brasil nos Jogos

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.