OESP, Especial, p. H5
19 de Set de 2009
Conexão com internet cresce. Rede de esgotos fica estagnada
Serviço de coleta de esgoto no País avançou 1,4%; o acesso à rede mundial de computadores, 3,8%
Wilson Tosta
Rio
Em termos proporcionais, no ano passado a ligação dos lares brasileiros à internet cresceu em ritmo maior que sua conexão às redes de recolhimento de esgoto, segundo apontou a Pnad 2008. Enquanto o número de residências ligadas à web passou de 20% para 23,8% (mais 3,8 pontos porcentuais) de 2007 para 2008, o número de casas com esgoto coletado subiu apenas 1,4 ponto. Com uma peculiaridade: na Região Norte, reduziu-se em 0,5 ponto porcentual (de 10% para 9,5%) a proporção de lares conectados ao esgotamento e cresceu 5,5 pontos a proporção de domicílios servidos por fossa séptica - mais 308 mil de um ano para o outro. A região tinha ainda 1,6 milhão de casas sem nenhum tipo de recolhimento dos dejetos.
"Foi um crescimento muito mixuruca", afirmou a economista Amarilis Romano, analista de saneamento da consultoria Tendências, ao comentar a expansão da coleta de esgoto.
Segundo a Pnad, em 2008 o Brasil tinha 30,2 milhões domicílios conectados às redes de esgoto - eram 28,4 milhões no ano anterior. Ainda assim, a proporção de casas com ligação às redes de esgoto permaneceu pouco além da metade. Em 2007, era 51,1%; em 2008, chegou a 52,5%. Houve queda, de um ano para o outro, na proporção de domicílios que usavam fossas sépticas. Eram 22,3% (12,4 milhões) e passaram para 20,7% (11,9 milhões).
Houve, porém, crescimento (nominal e proporcional) nas residências que não dispunham nem de ligação às redes coletoras, nem de fossas, para destinar os seus dejetos. De 14,8 milhões de residências (26,6%) com essa característica em 2007, passou-se para 15,4 milhões (26,8%) em 2008. Ou seja, pouco mais de um em cada quatro lares brasileiros não tem nenhum tipo de recolhimento do material de esgoto, provavelmente poluindo cursos d"água e contribuindo para doenças, como gastroenterites, que pioram os índices de mortalidade infantil.
A economista atribuiu a lenta expansão na cobertura do serviço de coleta e tratamento de esgoto, principalmente, à demora na elaboração do marco regulatório do setor. "A questão básica é que a regulação é relativamente recente, de 2007. Levou anos para ser elaborada e ainda não está completamente resolvida. Falta definir a questão da titularidade."
Amarilis argumentou que, mesmo após a instituição das normas, ainda vai demorar para que haja ampliação da oferta do serviço, investimento bastante oneroso. "De qualquer forma, acho que podemos esperar números sempre positivos daqui para adiante. A indefinição ainda é quanto à velocidade e qualidade desse crescimento."
As baixas proporções de conexão às redes de esgoto e o grande número de residências sem nenhum recolhimento para seus dejetos contrastam com as redes de fornecimento de água, com abrangência acima de 80% no Brasil. A pesquisa apontou que o porcentual de casas ligadas à rede geral de abastecimento (83,9%) cresceu 0,7 ponto ou 1,9 milhão em relação a 2007. No Nordeste, o crescimento foi de 2,3 pontos percentuais, ou mais 770 mil domicílios.
No mesmo período, houve redução no abastecimento de água de outras fontes - rios e poços, por exemplo - cuja proporção, porém, se manteve alta. Em 2007, eram 9,3 milhões (16,8%) de residências, passando para 9,2 milhões em 2008 (16,1%). A Região Norte, contudo, manteve a sua liderança nesse item, passando de 43,7% dos domicílios em 2007 para 41,7% no ano passado. Já o Sudeste continuou com a menor proporção de casas com esse abastecimento: de 8,4% para 8,2%
Houve expansão - de 0,6 ponto porcentual sobre 2007 - para 87,9% no número de domicílios com coleta de lixo, mais 50,6 milhões.
Colaborou Irany Tereza
OESP, 19/09/2009, Especial, p. H5
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