Agência Brasil
Autor: Lourenço Canuto
01 de Mar de 2008
Representantes de povos e comunidades tradicionais do país estão reunidos em Brasília para traçar metas a serem discutidas na 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude, que será realizada entre os dias 27 e 30 de abril em Brasília.
Participam das discussões sobre questões que preocupam a juventude, 58 representantes de comunidades indígenas, de ciganos, quilombolas, ribeirinhos e jovens de mais de 15 tipos de comunidades.
O secretário Executivo do Conselho Nacional da Juventude, órgão subordinado à Secretaria Geral da Presidência da República, José Eduardo de Andrade afirmou que "a congregação de grupos tão distintos num encontro como esse já significa, em si, um grande resultado que o governo obtém, na tentativa de ver esses povos discutindo seus problemas e soluções".
As diferenças culturais em um país com as dimensões do Brasil e os aspectos econômicos ligados à sobrevivência dos povos estão entre os temas debatidos. A promoção da igualdade racial e a política nacional de desenvolvimento sustentável dos povos tradicionais a partir de suas trajetórias diversificadas também entram na pauta da consulta que vai municiar as discussões da 1ª conferência.
O índio pernambucano Jadson Potiguara, presente ao encontro, representa uma comunidade de 12 mil pessoas que vivem em Olinda (PE). Ele falou de sua luta para defender a cultura e o desenvolvimento econômico de sua comunidade. Disse que hoje cada um deve perguntar "quem sou, o que pretendo do nosso país, em vista das diferenças culturais que existem entre as comunidades do interior e as dos grandes centros". "A reunião dos jovens pode ser um bom caminho para atingir os objetivos que querem alcançar", avaliou.
Solisângela Montes, que coordena um grupo de quilombolas, sugeriu que para cada problema enfrentado pelas comunidades fossem apontadas três soluções a fim de se construir desafios na criação de uma política de juventude para os jovens quilombolas.
Keila Franco representa o movimento de pescadores da Ilha de Marajó, no Pará. Ela relatou o envolvimento de menores na atividade da pesca e disse que as meninas entram muito cedo no trabalho pesqueiro para ajudar no sustento das suas famílias. Segundo ela, há muitos casos de gravidez precoce.
"Às vezes elas viajam de barco com adultos, para lugares distantes, ajudando na pesca, e ficam muito expostas", numa atividade que ela considera exaustiva.
"Elas trabalham muito, mas o lucro é proporcionalmente pequeno", afirma Keila Franco. Ela diz que está na hora de melhorar esse quadro social e também econômico.
O índio Donato Terena veio de Mato Grosso do Sul para defender temas ligados à saúde, à educação e à posse da terra, pelos índios.
Aparecido Cordeiro, por sua vez, representa uma associação que reúne 98 famílias ciganas que vivem há 40 anos em Caldas Novas (GO). Ele disse que seu avô, que trouxe os ciganos para Goiás, veio de Sergipe, mas o grupo é originário da China. Sua presença na reunião, convocada para fazer a consulta nacional aos povos e comunidades tradicionais, se destina a "procurar ver os direitos que seu povo tem e que não estão sendo oferecidos".
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