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Comunidades indígenas terão investimento de R$ 3,7 milhões para produção agrícola

Folha de Boa Vista - http://www.folhabv.com.br/
15 de Jul de 2010

Comunidades indígenas de Roraima começam a receber incentivos do governo para o incremento das ações produtivas. O alvo inicial está focado em duas vertentes: agricultura e piscicultura. Intitulado Chuva na Roça, o projeto dispõe de recursos próprios no valor de R$ 3,75 milhões, destinados à aquisição de bens de capital, custeio e capacitação de pessoal.

O projeto prevê o atendimento de 200 comunidades indígenas das mais de 500 existentes no estado. Em algumas delas, já está em andamento, como é o caso da comunidade Contão, em Pacaraima.

Além de fornecer os implementos necessários para o trabalho - motobombas para a irrigação das culturas anuais de milho, mandioca e feijão, entre outros -, constam também no orçamento recursos para a capacitação técnica dos gestores e executores, escolhidos entre os próprios indígenas.

SUSTENTABILIDADE - O diretor do Departamento de Políticas Indígenas (DPI) da Secretaria Estadual do índio, Rodrigo Batista Pinto, explica que o objetivo do projeto é promover e fortalecer a sustentabilidade da produção nas diversas áreas indígenas do estado.

A diferença do Chuva na Roça é que os próprios indígenas estão sendo capacitados para dar prosseguimento às atividades, o que, para o diretor do DPI, é fator preponderante para a garantia da perenidade dos trabalhos, aliada à alta produtividade. "A preparação dos índios sempre foi ignorada por gestores anteriores à atual administração", diz.

"Com maiores conhecimentos técnicos, os índios terão capacidade de aumentar a geração de renda, o que implica na consequente melhoria das condições de vida nas comunidades e, o que é melhor, de forma continuada", destacou Rodrigo, que é índio macuxi, nascido na comunidade Napoleão, em Normandia.

TECNOLOGIA - Rodrigo Pinto lembra que o crescimento demográfico dos últimos anos em Napoleão aponta para uma média de 30 nascimentos por ano. Por isso, diz, a comunidade precisa repensar o seu modo de produção. Segundo ele, é impraticável a produção de alimentos usando métodos rudimentares.

"Já não dá mais para ficarmos trabalhando de sol a sol no cabo da enxada, pois o trabalho não rende, além de provocar muito cansaço no trabalhador", diz o diretor do DPI, justificando o uso de novas tecnologias, como a agricultura irrigada, explorada no projeto Chuva na Roça.

Segundo Rodrigo Pinto, o governo procura investir na melhoria de vida das comunidades indígenas não de forma vertical, mas buscando ouvir suas lideranças. Os projetos são elaborados a partir da oitiva das comunidades. "São os índios que decidem o que acreditam ser o melhor para suas comunidades", destacou. Roraima conta com uma população indígena estimada em 33 mil habitantes, segundo dados do Instituto Sócio-Ambiental (ISA).

http://www.folhabv.com.br/noticia.php?id=90485

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