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Comunidades estão em beco sem saída

A Crítica-Manaus-AM
25 de dez de 2001

Para o professor da Universidade do Amazonas, José Aldemir de Oliveira, a inserção dos povos indígenas no aproveitamento comercial de seus conhecimentos tradicionais, preservando a integridade de suas culturas será a grande discussão para os próximos anos.

"De um lado, há o conhecimento indígena que, em princípio, não tem preço e não pode ser comercializado. De outro, há a indústria do capital, que transforma o conhecimento em mercadoria. A utilização dos conhecimentos indígenas tradicionais, que deveria retornar como benefícios para as comunidades, resulta em destruição para as mesmas", pondera o professor, acrescentando que, mesmo que os índios sejam inseridos no processo, podem ter sua cultura esfacelada.

Para Oliveira, as comunidades indígenas estão num beco sem saída. Se os direitos a seus próprios conhecimentos não forem respeitados, continuarão excluídos do processo e seus recursos serão pilhados. Se, por outro lado, conseguirem tomar parte nas negociações, correm o risco de ser absorvidos pelo sistema do capital. "Nesse caso, o conhecimento não passará adiante e poderá se perder. Poderemos captar alguma coisa, aproveitar um pouco, mas vamos perder todo o resto", comentou o professor, acrescentando que defende o respeito ao conhecimento indígena e os benefícios que pode trazer à humanidade. "Como fazer isso, preservando a integridade da cultura dos índios, eu não sei. Essa será a grande discussão", finalizou.

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