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Autor: Marci Páz
19 de Mai de 2026
Depois de quase 25 anos vivendo provisoriamente em território de outra comunidade indígena, famílias Guarani da Aldeia Araçá-i tentam reconstruir a própria comunidade em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina.
A retomada ganhou um novo capítulo após o MPF (Ministério Público Federal) entregar oficialmente o termo de cessão de uso da área onde cerca de 80 indígenas vivem desde novembro de 2024.
Comunidade indígena terá novo endereço
O documento garante o usufruto do imóvel pela comunidade e abre caminho para melhorias consideradas históricas pelos moradores, entre elas a construção de uma escola estadual dentro da aldeia - uma demanda aguardada há cerca de 12 anos.
A área ocupada fica na Fazenda Campina do Gregório e pertence à União. O espaço era utilizado anteriormente pelo Ibama como base de pesquisas em piscicultura e chegou a ser cedido ao município de Chapecó para atividades de ranicultura, criação de rãs.
Após a ocupação pacífica realizada pelas famílias Guarani, o MPF recomendou que o imóvel fosse destinado exclusivamente para moradia indígena, atendimento em saúde e estrutura comunitária.
A mudança aconteceu após anos de impasse envolvendo a Terra Indígena Guarani do Araçá'í, localizada entre os municípios de Saudades e Cunha Porã.
Embora o território tenha sido reconhecido como tradicional pelo Ministério da Justiça ainda em 2007, o processo de demarcação nunca avançou devido as disputas judiciais movidas por proprietários rurais da região.
Comunidade indígena viveu décadas no Toldo Chimbangue
Sem acesso definitivo à terra original, os indígenas passaram quase 25 anos vivendo provisoriamente na Terra Indígena Toldo Chimbangue, em Chapecó, pertencente ao povo Kaingang.
Segundo o MPF, apesar da convivência pacífica entre as comunidades, a área já não era suficiente para garantir o sustento das famílias Guarani.
Educação é um dos desafios da comunidade indígena
Atualmente, um dos principais desafios da aldeia envolve a educação das crianças. Sem escola própria, os estudantes precisam sair diariamente da comunidade para frequentar aulas em outras regiões, situação que, segundo o MPF, dificulta a preservação da cultura e da língua Guarani.
Durante visita técnica realizada na comunidade indígena, representantes da Coordenadoria Regional de Educação e um engenheiro civil discutiram o projeto da futura unidade escolar.
O objetivo é aprovar a proposta ainda no primeiro semestre de 2026 para evitar entraves relacionados ao período eleitoral.
Além da escola, a comunidade indígena também recebeu melhorias em áreas consideradas essenciais. A energia elétrica foi restabelecida após discussões sobre os altos custos das faturas coletivas, e o novo posto de saúde da aldeia está na fase final de reforma e ampliação.
As obras são custeadas com recursos provenientes de ações judiciais movidas pelo MPF.
A comunidade indígena também aguarda avanços em pautas como:
A entrega do termo de cessão ocorreu durante visita do procurador da República Antonio Augusto Teixeira Diniz ao local. O encontro foi encerrado com uma reza conduzida pelo pai do cacique Marco Mariano de Moraes, de 104 anos, símbolo da permanência e da resistência do povo Guarani no Oeste catarinense.
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