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Comunicação - Na troca de saberes, indígenas Karitiana revelam que consomem água de árvores e cipós - Rondônia

Folha Nobre - http://folhanobre.com.br
21 de mar de 2019

Comunicação - Na troca de saberes, indígenas Karitiana revelam que consomem água de árvores e cipós - Rondônia

Indígenas Karitiana bebem água fresca e pura, de cipós e árvores amazônicas, mas estão temerosos com a iminente destruição de seu maior patrimônio no interior do município de Porto Velho, pelos mesmos interesses de madeireiros em espécies nobres de madeira no território Uru-eu-au-au, conhecido por alta diversidade biológica.

Isolados na floresta e no campo da aldeia central a 40 quilômetros da BR-364 e a cerca de 100 Km de Porto Velho, no sentido Guajará-Mirim, os Karitiana são acessados pelo ramal Maria Conga. "Sede de água boa, aqui, ninguém passa", orgulha-se o cacique Antônio José Karitiana, 44 anos. Ele e outros descendentes de antigos chefes desse povo, só lamentam a perda do professor dos remédios e dos bens oferecidos pela floresta: o pajé Sizino mudou-se para Candeias do Jamari, a 18 quilômetros de Porto Velho. É um dos últimos pajés no estado.

Reunidos terça-feira (19) no pátio da Escola Indígena Estadual de Ensino Fundamental e Médio Kyowã, eles participaram de breves palestras feitas por integrantes da coordenadoria de educação ambiental da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), em comemoração ao Dia da Água (22 de março).

Aonde morre o desperdício, nasce a vida - estampava um banner levado pela coordenadoria. Outro, alertava: Economizar água é fácil, difícil é ficar sem!
Os Karitiana não desperdiçam água, entretanto, querem saber como aproveitar da melhor maneira possível igarapés que cortam sua floresta, e a melhor maneira de utilizar água de poço.

"Meus filhos todos nasceram na aldeia, e conhecem o valor da água", comentou Luiz Carlos Karitiana, 40, quatro filhos. E disse sorridente nomes e idades de cada um: Marlúcia, 22, Vanderlúcio, 21, Emília, 14, e Luiz Carlos, 3.

Mas todo cuidado do mundo ainda é pouco, e isso Luiz Carlos captou, ouvindo atentamente a palestra do geógrafo Anderson Alves, alertando-os para o perigo de embalagens de produtos e diversos lixos jogados no chão e em rios distantes do asfalto das cidades.

O tenente Lopes e o cabo Jeferson, ambos do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) sediado em Candeias do Jamari, abriram o encontro. Nos pilares, entre outros banners, havia um bem didático: o mapa da hidrologia nos continentes, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA).

Dirigindo-se ao cacique Antônio, o tenente Lopes pediu-lhe parceria para fiscalizar ilícitos na região. "Ela será tão importante quanto outras que temos com a Sedam e universidades", enfatizou.

"Precisamos deixar a natureza pronta para os que vierem depois de nós", apelou por sua vez o sargento do BPA e atualmente funcionário da coordenadoria de educação ambiental da Sedam, Fábio França.

O tenente Lopes explicou aos Karitiana que o Centro de Recuperação de Áreas Degradadas oferece mudas para reflorestamento, no âmbito do BPA.

O geógrafo Anderson Alves lembrou a Declaração Universal do Direito das Águas, a sua origem no planeta e a sua importância para a humanidade, desde a formação das primeiras cidades do Mediterrâneo. Explicou ainda a diferença entre água potável e água mineral, água doce e água salgada.

"Pra mim, a melhor água é a da raiz da árvore", disse-lhe o cacique Antônio.

O cacique perguntou-lhe a respeito o uso da água da chuva. Ele aprovou prontamente, explicando que, quando recolhida diretamente em vasilhas limpas ou de plantas, normalmente pode ser ingerida sem purificação.

Luiz Carlos perguntou como tratar água barrenta. Anderson lembrou o exemplo nordestino, sugerindo a decantação que separa o material leve do pesado, porém, alertou: "O silte (fragmento de mineral ou rocha menor do que areia fina e maior do que argila) não decanta". Em seguida, comentou o depósito de mercúrio no rio Madeira, por garimpos de ouro: "O metal se concentra no peixe, se tornando perigoso para a fauna ictiológica e para o ser humano."

Segundo Anderson, a água de poços (ou cacimbas) não possui contaminantes, mesmo assim, defendeu a precaução de todos, sugerindo-lhes requerer à Sedam exames de laboratório para qualquer amostra d'água no território da aldeia central.

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