VOLTAR

Compromisso francês

O Globo, Opinião, p. 7
Autor: GOISBAULT, Hugues
01 de Dez de 2007

Compromisso francês

Hugues Goisbault

A França entrou definitivamente na era da ecologia, assumindo a posição de agente das transformações necessárias para tentar reverter o atual rumo do ecossistema terrestre. O governo de Nicolas Sarkozy está seriamente empenhado no combate ao aquecimento global e na preservação do meio ambiente. Prova disso é a grande conferência inédita no país, batizada Grenelle do meio ambiente (uma referência aos acordos sociais de Grenelle assinados durante as greves e conflitos de maio de 1968), que reuniu, em Paris, no final de outubro, representantes do governo, grandes ONGs internacionais, como Greenpeace e WWF, além de organizações francesas, como França Natureza, resultando em um pacote de medidas que marcam o que o presidente chamou de uma "revolução verde na França".

O presidente Sarkozy abriu a conferência diante de todo o seu governo, do ex-vice-presidente americano Al Gore, Prêmio Nobel da Paz em 2007, e do presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso,dando um caráter solene à iniciativa. Al Gore resumiu o encontro como uma porta de entrada para uma "Grenelle mundial" na luta contra o aquecimento global.

Uma luta que teve início na Eco-92, colocando o Rio de Janeiro em posição de destaque na defesa do meio ambiente e em prol do desenvolvimento sustentável.

As novas medidas incluem o pedido à Comissão Européia para que estude a implementação de uma taxa sobre os produtos importados de países que não respeitam o Protocolo de Kioto e a criação de um imposto menor sobre todos os produtos ecológicos que respeitem o clima e a biodiversidade, além do estudo da criação de uma taxa de carbono como contrapartida para a redução de impostos trabalhistas, no cerne de uma revisão fiscal na França. Partindo do "princípio da precaução" que pode ser interpretado como "princípio de responsabilidade", o presidente pediu ao seu ministro da Agricultura que "proponha dentro de um ano um plano para reduzir em 50% o uso de pesticidas cuja periculosidade seja comprovada, se possível nos próximos 10 anos". O presidente prometeu também o aumento da agricultura biológica em 6% do total da área agrícola útil em 5 anos e em 20% até 2020.

Ele propôs ainda um programa de investimento no setor de transportes e moradia: priorizando as ferrovias em relação às rodovias, sobretudo para o transporte de mercadorias a longas distâncias; além da criação de um imposto sobre os veículos mais poluentes e da obrigatoriedade de baixo consumo energético nas novas construções.

O sucesso e a repercussão de filmes como "Uma verdade inconveniente" (Oscar de melhor documentário em 2006), do ex-vice-presidente americano, e "The 11th hour", documentário produzido e escrito pelo ator Leonardo di Caprio, revelam que se expande em todas as camadas sociais de todos os países a consciência fomentadora das grandes mudanças defendidas hoje pela França.
"Nosso planeta é que necessita de toda a publicidade", como afirmou Di Caprio no lançamento de seu filme.

Hugues Goisbault é cônsul-geral da França no Rio de Janeiro.

O Globo, 01/12/2007, Opinião, p. 7

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.