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Complexo do Madeira já estimula desmatamento em Rondônia, dizem ONGs

Amazônia.org - www.amazonia.org.br
03 de jul de 2008

Aumento da devastação da Amazônia. Este é um dos principais temores de ambientalistas em relação às conseqüências que devem trazer as usinas hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira (RO). Estudos recentes também constatam que esse empreendimento deve estimular o desmatamento. Segundo pesquisadores e ambientalistas, antes mesmo da construção das barragens, só a expectativa criada pela construção das usinas já fez com que o desmatamento em Rondônia crescesse, aumentando a migração e a valorização das terras da região.

Essa e outras questões sobre a construção das barragens no Madeira serão debatidas no lançamento nacional do livro "Águas Turvas". O evento acontecerá por vídeo-chat no IG, nessa sexta-feira (4) às 18 horas, e contará com a participação do público.

Dados do desmatamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) também apontam para essa tendência. Segundo o Boletim Transparência Florestal, a Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paraná é uma das que mais tiveram desmatamento. Essa Resex fica próxima ao complexo do Madeira e apresentou, apenas em maio deste ano, 0,51 km2 de área desmatada, um número considerável por se tratar de uma unidade de conservação. Esse mesmo boletim aponta Porto Velho como um dos municípios que mais desmatam em toda a Amazônia Legal, figurando em sétimo no ranking, com 8,39 km2. Tanto Porto Velho como Nova Mamoré, cidades vizinhas do rio Madeira, constam na lista de 36 municípios críticos devido ao desmatamento produzidos pelo Ministério do Meio Ambiente.

Desmatamento da área a ser alagada
Segundo o estudo "Análise do PBA de Santo Antônio", produzido pela International Rivers e que analisa o Plano Básico Ambiental (PBA) da usina de Santo Antônio, o projeto da hidrelétrica apresenta vários problemas nas propostas de controle da devastação. Entre os problemas, a ausência de detalhes no programa contra o desmatamento proposto. "Em particular, falta reconhecimento da necessidade de coordenação dos processos de reassentamento e compensação socioeconômica com o desmatamento e queimada da região a ser alagada. Logicamente as populações poderiam estar em risco por estas atividades antes de ser alagadas".

Também faltam detalhes sobre como se dará a construção dos canteiros de obras, que estão previstos para setembro deste ano, e se essa construção pode evitar impactos ambientais. "Isso é particularmente preocupante considerando que as primeiras atividades de construção do canteiro de obras envolverão desmatamento", diz o estudo.

Rio Madeira
O Complexo Hidrelétrico do Madeira pretende gerar 6.450 megawatts, o equivalente a metade do potencial da usina hidrelétrica de Itaipu. As usinas foram projetadas para aproveitar a força das corredeiras naturais de Santo Antônio e Jirau, distantes de Porto Velho a seis e 150 quilômetros, respectivamente. Ao serem implementadas, uma área de mais de 500 quilômetros quadrados de terras será inundada, atingindo mais de 5 mil famílias.

A instalação das usinas no rio Madeira é alvo de críticas da sociedade civil e movimentos sociais, devido ao alto impacto que terá no meio ambiente, principalmente na floresta Amazônica e nas terras indígenas.

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