O Globo, Ciência, p. 41
19 de Dez de 2009
Como ficará o mundo depois de Copenhague
Entre dois e cinco graus Celsius, a elevação média das temperaturas mudará drasticamente a face da Terra
Caso um mundo não chegue a um acordo para reduzir suas emissões, os cenários para o aquecimento global preveem uma mudança drástica na face da Terra. De uma elevação da temperatura média do planeta em dois graus Celsius - o limite que os cientistas anseiam e o teto das negociações em Copenhague -, até o pesadelo de uma elevação de cinco graus Celsius, eis os cenários previstos:
Dois graus celsius: As ondas de calor que atingiram a Europa em 2003, deixando milhares de mortos, voltarão a acontecer, todos os anos. O sudeste da Inglaterra vai se acostumar com temperaturas de 40 graus Celsius no verão. Partes da Floresta Amazônica começam a se transformar num deserto, enquanto o aumento de CO2 na atmosfera vai promover a acidificação dos oceanos, tornando improvável a sobrevivência de recifes de corais e milhares de formas de vida marinha.
Mais de 60 milhões de pessoas, a maioria na África, sofrerão com aumento de casos de malária.
A cobertura de gelo no lado ocidental da Antártica e na Groelândia vai derreter. Geleiras vão se retrair em todo o mundo, reduzindo também o suprimento de água potável para as grandes cidades. Regiões costeiras serão alagadas, afetando mais de 10 milhões de pessoas. A extinção atingirá um terço das espécies do planeta à medida em que a elevação transforma rapidamente seus habitats.
Três graus celsius: Um cenário cada vez mais provável.
Com tal elevação, o aquecimento global se torna incontrolável, fazendo com que esforços para mitigação passem a ser inviáveis.
Milhões de quilômetros da Floresta Amazônica serão queimados, liberando carbono das árvores e do solo, incrementando o aquecimento, talvez até em 1,5 grau Celsius. Desertos vão avançar no sul da África, na Austrália e no oeste dos EUA. Bilhões de pessoas serão forçadas a abandonar suas terras, em busca de água e alimento. Na África e no Mediterrâneo, a oferta de água vai diminuir entre 30% e 50%. No Reino Unido, secas no verão serão seguidas por enchentes no inverno. A elevação do nível do mar vai causar o desaparecimento de países-ilha, e também de lugares como Nova York, Flórida e Londres.
Quatro graus celsius: Cenário possível, com um acordo fraco. Nesse estágio, o permafrost (solo congelado) do Ártico se torna grande ameaça. Metano e carbono aprisionados no solo serão liberados na atmosfera. Ainda no Ártico, a cobertura de gelo desaparecerá, causando a extinção do urso polar e outras espécies nativas. Na Antártica, o degelo vai se acelerar, incrementando a elevação do nível do mar, fazendo com que diversas ilhas fiquem submersas.
Itália, Espanha, Grécia e Turquia podem virar desertos. A região central da Europa passa a ter temperaturas médias de 50 graus Celsius no verão, típicas de desertos.
Cinco graus Celsius e além: Um pesadelo altamente improvável. Com um aumento médio de cinco graus, as temperaturas na Terra vão ficar tão quentes quanto àquelas de 50 milhões de anos atrás. No Ártico, as temperaturas subirão bem mais do que a média global - acima de 20 graus Celsius -, significando que a região ficará sem gelo o ano inteiro. A maior parte das regiões tropicais, subtropicais e mesmo as regiões de latitudes média se tornarão inabitáveis por causa do calor. A elevação do nível dos mar fará com que a maioria das cidades costeiras do planeta tenha que ser abandonada. A população humana será drasticamente reduzida.
O Globo, 19/12/2009, Ciência, p. 41
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